sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Puro, mas não tão simples assim



O Cristianismo “como de fato é e sempre foi, quer eu goste ou não”. Isto é o que C. S. Lewis se propõe a explicar na sua famosa obra Mere Christianity (traduzido no Brasil como Cristianismo Puro e Simples, Editora Martins Fontes, 2005, 77 págs.). A intenção de Lewis não foi mostrar um Cristianismo “água com açúcar”, tão fácil que possa ser compreendido até por criancinhas de seis anos, como talvez nos leve a pensar o título da versão brasileira. Pelo contrário, o próprio autor admite que o Cristianismo é uma religião difícil, talvez a mais complexa de todas, mas que "não nos convém exigir uma religião simples. Afinal de contas, as coisas no mundo real são complexas."

Lewis, na verdade, tenta explicar o essencial do Cristianismo. E ele o faz de um modo claro, simples, lógico e prático. Para isso, o autor fixa-se nos pontos de concordância entre todos os cristãos, evitando envolver-se em polêmicas de denominações, doutrinas e interpretações, mostrando que, apesar das muitas diferenças, os cristãos têm mais em comum do que imaginam. Mesmo sendo anglicano, ele sempre procurava não expor as suas próprias convicções doutrinárias, em detrimento de outras, pois seu objetivo não era ajudar aqueles que estão hesitando entre uma e outra vertente do Cristianismo, mas aqueles que desejavam ter uma visão geral da religião.

Cristianismo Puro e Simples é fruto de uma série de palestras de rádio gravadas por C. S. Lewis e transmitidas pela BBC durante a Segunda Guerra Mundial. Por isso o livro mantém o tom coloquial e amigável que ele costumava ter em suas conversas com os ouvintes. Considerada um clássico da apologética cristã (o terceiro livro cristão mais influente desde 1945 segundo a revista Christianity Today), a obra traz um raciocínio que vai desde a simples crença num Criador até chegar aos principais ensinamentos cristãos, não desviando de questões polêmicas como a doutrina do pecado, o diabo, a abstinência sexual, o divórcio, a Trindade e o problema do inferno e do mal.

Além de escritor, Clive Staples Lewis (1898-1963) foi professor universitário e poeta. Atualmente é mais conhecido por suas clássicas Crônicas de Nárnia, obras de ficção que também se baseiam em ensinamentos bíblicos. Apesar de ter escrito vários livros de teologia, sendo considerado um dos escritores cristãos mais influentes de sua época, Lewis nunca se sentiu confortável com o rótulo de teólogo, considerando-se até mesmo um leigo no assunto. Antes de se tornar cristão era ateu convicto e se converteu através da influência de, além de outros, J. R. R. Tolkien, seu amigo e colega de trabalho, autor de O Senhor dos Anéis. Dessa forma, ninguém melhor do que um ex-ateu para responder os questionamentos de alguém que não crê.

E Lewis dá suas respostas baseado em argumentos lógicos instigantes, em exemplos práticos bastante originais, e pouco, ou quase nada, em citações bíblicas. Por este motivo, sua obra chegou a ser criticada por alguns cristãos. Mas talvez sua intenção tenha sido alcançar justamente as pessoas que não conhecem a Bíblia, que não é clara muitas vezes nem para quem está dentro do Cristianismo, quanto mais para quem está de fora. Mas quem é cristão ou já conhece a Bíblia percebe que Lewis baseia-se em princípios dela. 

Outra questão um tanto polêmica é que neste livro, principalmente no último capítulo, Lewis deu a entender que acreditava na evolução das espécies por meio da seleção natural, que entra em conflito com a crença em um Deus Criador, a base do Cristianismo. Mas é preciso entender que em sua época, a evolução era muito difundida e pouco questionada, inclusive nos meios acadêmicos teológicos. Além disso, Lewis não se mostrava tão certo disto, como também em outras matérias em que não fosse especialista, deixando sempre a cargo do leitor decidir crer ou não no que ele falou. Com humildade ele reconhecia quando não soubesse dar uma resposta adequada a alguma pergunta, pedindo até que desprezassem aquela idéia sua que não serviu para elucidar o assunto.

Em suma, Cristianismo Puro e Simples é útil tanto para um ateu que deseja conhecer as bases da religião cristã, quanto para uma pessoa de qualquer outra religião, e até mesmo para quem já é cristão, seja do catolicismo ou até da mais variada denominação evangélica. Não é tão simples de ler quando se quer ler rapidamente, pois é preciso acompanhar passo a passo o brilhante raciocínio de C. S. Lewis para não se perder. Mas isso não torna o livro maçante, pelo contrário, sua exposição lógica, didática e pessoal torna a leitura ainda mais interessante.  

Débora Silva Costa
(Resenha feita pela estudante para a disciplina de Jornalismo Impresso II do curso de Comunicação Social - Jornalismo.)


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

E quando a paixão acaba?



A idéia cristã de casamento se baseia nas palavras de Cristo de que o homem e a mulher devem ser considerados um único organismo - tal é o sentido que as palavras "uma só carne" teriam numa língua moderna. Os cristãos acreditam que, quando disse isso, ele não estava expressando um sentimento, mas afirmando um fato. [...] Todos os que se casaram na igreja fizeram a promessa pública e solene de permanecer unidos até a morte. [...] A ideia de que "estar enamorado" é o único motivo válido para permanecer casado é totalmente contrária à ideia do matrimônio como um contrato ou mesmo como uma promessa. Se tudo se resume ao amor, o ato da promessa nada lhe acrescenta; e, assim, nem deveria ser feito.

Uma coisa curiosa é que os próprios [...] apaixonados têm a tendência natural de fazer promessas um ao outro. As canções de amor do mundo inteiro estão repletas de juras de fidelidade eterna. A lei cristã não exige do amor algo que é alheio à sua natureza: exige apenas que os amantes levem a sério algo que a própria paixão os impele a fazer. E é evidente que a promessa de ser fiel para sempre, que fiz quando estava apaixonado e porque o estava, deve ser cumprida mesmo que deixe de estar. A promessa diz respeito a ações, a coisas que posso fazer: ninguém pode fazer a promessa de ter um determinado sentimento para sempre. Seria o mesmo que prometer nunca mais ter dor de cabeça ou nunca mais ter fome. [...]

[Então] qual o sentido de manter unidas duas pessoas que não se amam mais? Existem várias razões sociais bem fundamentadas para tanto: dar um lar para os filhos, proteger a mulher (que provavelmente sacrificou a carreira pelo casamento) de ser trocada por outra quando o marido se cansar dela. Existe, no entanto, um outro motivo. [...] O que chamamos de "estar apaixonado" é um estado maravilhoso e, sob diversos aspectos, benéfico para nós. Ajuda-nos a ser mais generosos e corajosos, abre nossos olhos não apenas para a beleza do objeto amado, mas para toda a beleza. [...] [Mas] "a coisa mais perigosa que podemos fazer é tomar um certo impulso de nossa natureza como padrão a ser seguido custe o que custar". [...]

A paixão amorosa não pode ser a base de uma vida inteira. É um sentimento nobre, mas, mesmo assim, é apenas um sentimento. Não podemos nos fiar em que um sentimento vá conservar para sempre sua intensidade total, ou mesmo que vá perdurar. O conhecimento perdura, como também os princípios e os hábitos, mas os sentimentos vêm e vão. [...] Se o velho final dos contos de fadas: "E viveram felizes para sempre", quisesse dizer que "pelos cinqüenta anos seguintes sentiram-se atraídos um pelo outro como no dia anterior ao casamento", estaria se referindo a algo que não acontece na realidade, que não pode acontecer e que, mesmo que pudesse, seria pouquíssimo recomendável. Quem conseguiria viver nesse estado de excitação mesmo por cinco anos? Que seria do trabalho, do apetite, do sono, das amizades?


É claro, porém, que o fim da paixão amorosa não significa o fim do amor. O amor nesse segundo sentido - distinto da "paixão amorosa" - não é um mero sentimento. É uma unidade profunda, mantida pela vontade e deliberadamente reforçada pelo hábito; é fortalecida ainda (no casamento cristão) pela graça que ambos os cônjuges pedem a Deus e dele recebem. Eles podem fruir desse amor um pelo outro mesmo nos momentos em que se desgostam, da mesma forma que amamos a nós mesmos mesmo quando não gostamos da nossa pessoa. Conseguem manter vivo esse amor mesmo nas situações em que, caso se descuidassem, poderiam ficar "apaixonados" por outra pessoa. Foi a "paixão amorosa" que primeiro os moveu a jurar fidelidade recíproca. O amor sereno permite que cumpram o juramento. É através desse amor que a máquina do casamento funciona: a paixão amorosa foi a fagulha que a pôs em funcionamento.

Se você discorda de mim, é claro que vai dizer: "Ele não sabe do que está falando. Ele nem é casado." Talvez você tenha razão. Antes de dizer isso, porém, tome o cuidado de embasar seu julgamento nas coisas que você conhece por experiência pessoal ou pela observação de seus amigos, e não em idéias derivadas de romances ou de filmes. [...] As pessoas tiram dos livros a ideia de que, se você casou com a pessoa certa, viverá "apaixonado" para sempre. Como resultado, quando se dão conta de que não é isso o que ocorre, chegam à conclusão de que cometeram um erro, o que lhes daria o direito de mudar - não percebem que, da mesma forma que a antiga paixão se desvaneceu, a nova também se desvanecerá.

[Porém], se você perseverar, o arrepio da novidade, quando morre, é compensado por um interesse mais sereno e duradouro. [...] Segundo me parece, essa é uma pequena parte do que Cristo quis dizer quando afirmou que nada pode viver realmente sem antes morrer. Simplesmente não vale a pena tentar manter viva uma sensação forte e fugaz: é a pior coisa que podemos fazer. Deixe o frisson ir embora — deixe-o morrer. Se você passar por esse período de morte e penetrar na felicidade mais discreta que o segue, passará a viver num mundo que a todo tempo lhe dará novas emoções.

Mas, se fizer das emoções fortes a sua dieta diária e tentar prolongá-las artificialmente, elas vão se tornar cada vez mais fracas, cada vez mais raras, até você virar um velho entediado e desiludido para o resto da vida. É por serem tão poucas as pessoas que entendem isso que encontramos tantos homens e mulheres de meia-idade lamentando a juventude perdida, na idade mesma em que novos horizontes deveriam descortinar-se e novas portas deveriam abrir-se. [...]

Outra idéia que apreendemos de romances e peças de teatro é que a paixão amorosa é algo irresistível, algo que simplesmente "contraímos", como sarampo. Por acreditar nisso, certas pessoas casadas largam tudo e se atiram a um novo amor quando se sentem atraídas por alguém. [...] Quando conhecemos uma pessoa bonita, inteligente e bem-humorada, é claro que devemos, num certo sentido, admirar e amar essas belas qualidades. Porém, não cabe a nós em boa medida julgar se esse amor deve ou não dar lugar ao que chamamos de paixão amorosa? Sem dúvida, se nossa cabeça está cheia de romances, peças e canções sentimentalistas, e nosso corpo está cheio de álcool, vamos tender a transformar qualquer amor nesse tipo específico de amor. [...] A culpa será sua.


Trechos extraídos do capítulo 6 - O Casamento Cristão - do livro "Cristianismo Puro e Simples" - C. S. Lewis

sábado, 15 de outubro de 2011

Um passeio na sinagoga


Mês passado viajei pela primeira vez para Recife-PE, capital que se destaca nacionalmente pelo turismo, cultura, economia e história. Entre tantas atrações, monumentos e belezas naturais, tive a felicidade de conhecer um museu que tem importância não apenas para o Nordeste ou para o Brasil, mas para todo o mundo ocidental. Trata-se da primeira Sinagoga Judaica das Américas, a Kahal Zur Israel!

Mas porque uma sinagoga judaica logo aqui no Nordeste? Como os judeus foram parar em Recife?
Historicamente os judeus foram (e ainda são) um povo muito sofrido. Egípcios, babilônios, assírios, romanos, católicos, alemães e árabes são alguns dos povos que perseguiram, escravizaram e mataram judeus ao longo dos tempos. Uma dessas perseguições foi promovida pela Inquisição Espanhola, que atuou no período de 1478 a 1834 na Península Ibérica, uma conversão forçada de judeus ao cristianismo, que condenava à pena de morte os que resistissem.

Acuados, os judeus fugiram para outros territórios, como o norte da África e o Novo Mundo (principalmente Brasil e México), onde poderiam ter liberdade de culto. Mas Portugal também era um dos países perseguidores, o que valia igualmente para as suas colônias, como o Brasil. Mas naquela época o Nordeste brasileiro estava sob o domínio holandês, e, uma vez que na Holanda a comunidade judaica era tolerada, isso possibilitou que muitos judeus se estabelecessem aqui, principalmente em Recife.

Vista do Recife Antigo
Mas essa abertura brasileira aos judeus durou apenas vinte e quatro anos, cessando com a expulsão dos holandeses, em 1654. Novamente fugitiva, a comunidade judaica constituiu-se em Nova Iorque, nos Estados Unidos, cidade que ajudaram a desenvolver e onde também foi fundada a segunda sinagoga do mundo ocidental. Mas, embora curto, o período que os judeus passaram aqui no Brasil foi marcante, e a Kahal Zur Israel, construída em 1636, é um testemunho vivo da passagem desse povo.

“Os homens se apresentarão ao Senhor, seu Deus, no local que ele escolher.” Deuteronômio 16:16b
O termo Kahal Zur Israel vem do hebraico e significa literalmente “Rocha de Israel”. Está localizada no Centro Histórico de Recife, junto a outros pontos turísticos, como o Marco Zero, a Torre Malakoff e o Parque das Esculturas. A sinagoga chama a atenção não pela suntuosidade ou grandeza, como os templos de outras religiões que há na cidade (do catolicismo, por exemplo), ou como outras sinagogas judaicas pelo mundo. Pelo contrário, o destaque está justamente no fato de funcionar numa das casas da Rua Bom Jesus (que já se chamou também Rua dos Judeus e Rua dos Bodes). Foi até um pouco difícil encontrá-la, pois poucos recifenses sabiam indicar a localização do tal templo. Também é preciso pagar uma pequena taxa para entrar.

Finalmente dentro do prédio, só se confirma a impressão inicial de simplicidade e recato, sem aquela “aura” de local sagrado. O museu é uma reconstituição da sinagoga (já que esta foi em parte destruída após a expulsão dos holandeses), mas conta com escavações que mostram vestígios do prédio original, identificados recentemente e preservados pelo Centro Cultural Judaico de Pernambuco. O edifício atual é uma colcha de retalhos, contrastando elementos de diversas épocas, como um poço (utilizado para rituais de purificação) datado do século XVII, e a atual fachada, que data do século XIX.

"Mikvê", piscina utilizada em rituais de banho de purificação
Ao lado da área de escavações fica uma pequena sala como documentos, fotos, livros, cartas e objetos variados de judeus que nasceram ou moraram no Brasil em diversas épocas. No andar térreo ainda é possível ver alguns artefatos recuperados na busca arqueológica dentro da sinagoga e painéis explicativos de toda a trajetória judaica no Brasil. Ali constava, por exemplo, que o primeiro rabino da sinagoga foi o luso-holandês Isaac Aboab da Fonseca (1605-1693).

Vista do andar térreo do museu,
com os painéis (acima) e escavações arqueológicas (abaixo)

Subindo as escadas (em cujo corrimão está escrita a passagem de Deuteronômio 16:16), rumo ao primeiro andar, há um pequeno memorial de judeus brasileiros. Já no piso superior, o maior destaque do local: a sinagoga de fato (ou melhor, um modelo da original). O espaço conta com alguns bancos, ao fundo uma espécie de armário onde se guarda a cópia da Torah, à frente um púlpito para a leitura do rolo e, ao centro, a própria Torah, numa redoma de vidro. Diferentemente do templo do Antigo Testamento, uma sinagoga funciona como local de reuniões dos judeus, uma espécie de casa de oração e de leitura do livro sagrado, mas sem práticas de sacrifícios. No entanto, o local atualmente serve apenas para visitação, salvo em raras exceções, como no caso da foto abaixo, de um ato religioso em homenagem às vítimas do Holocausto.

Ato religioso na Kahal Zur Israel com a presença do ex-presidente Lula

Ainda no primeiro andar, há uma pequena vitrine com souvenires diversos. Alguns me chamaram a atenção, como o chaveiro da estrela de Davi, que é formada por dois triângulos unidos. Segundo o guia do museu, o primeiro triângulo representa Deus, o homem e o povo, e o segundo representa o passado, o presente e o futuro. Segundo a tradição judaica (isso não consta na Bíblia), Davi teria usado essa estrela como proteção na batalha com Golias, e o brilho da estrela teria cegado o gigante, possibilitando a vitória. Por isso, hoje em dia, os judeus utilizam supersticiosamente o objeto para proteção.

Outro chaveiro que achei até um pouco estranho (parecia coisa de marçonaria) foi o de uma mão com um olho em cima. De acordo com o guia, isso simbolizava para os judeus o poder de Deus, sendo Ele "a 'mão' que tudo alcança e o 'olho' que tudo vê". Mas a tradição judaica acabou adotando o símbolo como amuleto contra o mau-olhado!


Isso me deixou um pouco triste, ao final da visita, pois percebi na prática como os judeus, povo a quem foi confiada a Palavra de Deus (Romanos 3:2), ao longo dos tempos criaram tradições e superstições que muitas vezes competem com ela. (Marcos 7:8)

"Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo."
Colossenses 2:8


Mas, por outro lado, fiquei feliz por conhecer um pouco mais a cultura e história de um povo que Deus escolheu salvar e, através dele, trazer salvação também aos outros povos, pois foi dos judeus que veio o Messias, Jesus Cristo, nosso Salvador (João 4:22)!


"Mediante o evangelho os gentios são co-herdeiros com Israel, membros do mesmo corpo, e co-participantes da promessa em Cristo Jesus."
Efésios 3:6



Em Cristo,
Débora Silva Costa


sábado, 8 de outubro de 2011

Jacob Riis, uma luz na fotografia

"Vocês são a luz do mundo...
Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus".
Mateus 5:14a e 16

Neste semestre da faculdade, estudando vários fotojornalistas famosos, deparei-me com um, em especial, que me chamou a atenção: chama-se Jacob Riis (1849 – 1914), um fotógrafo cristão que deixou sua fé influenciar positivamente seu trabalho. Ele ficou marcado na história como um dos fundadores do fotojornalismo e de toda uma escola de profissionais empenhados em usar a fotografia para intervir sobre a realidade social. Além disso, é conhecido por ser o pioneiro no uso do flash na fotografia.



Riis e o Jornalismo
“...pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade.” Efésios 5:9b
Famílias com rostos lúgubres olham para a câmera com olhos vazios

Nascido na Dinamarca, numa família grande e pobre, Jacob Riis desde cedo foi influenciado por seu pai a ler e aprender inglês, esperando que tivesse uma carreira literária. Mas ele queria, na verdade, ser um carpinteiro e emigrou para a América em 1870, aos 21 anos, com esse objetivo. Contudo, para a maioria dos imigrantes, as coisas não eram tão fáceis, e Riis sentiu na própria pele a pobreza e o preconceito. Somente em 1873 conseguiu um emprego razoável, numa agência de notícias, a New York News Association. Depois disso ainda trabalhou brevemente como editor em dois pequenos jornais da cidade, e, quatro anos depois, tornou-se repórter policial do New York Tribune.

Durante esse tempo como repórter policial, Riis trabalhou nas favelas mais violentas e pobres da cidade e pôde escrever relatos de primeira mão das indignidades e injustiças na vida dos imigrantes. Através de suas próprias experiências, ele decidiu fazer a diferença. Com seu estilo de escrita melodramático, ele tornou-se um dos primeiros jornalistas reformistas, que não apenas registravam os acontecimentos, mas usavam seu trabalho como ferramenta de mudança social.


Riis e a Fotografia
“Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.” João 3:21

Este homem dormiu em uma adega por quatro anos

“Uma imagem vale mais do que mil palavras.” Este ditado popular começou a fazer sentido na vida de Jacob Riis. Há algum tempo ele vinha procurando um meio de mostrar a miséria mais vividamente, principalmente depois de ter sido acusado de exagerar na sua descrição. Foi quando recorreu à fotografia, uma arma de persuasão que superava o poder das palavras.

Autodidata, Riis documentou, durante cerca de dez anos, favelas, guetos de imigrantes miseráveis em condições de semi-escravidão e sem o mínimo de condições sanitárias. Suas fotos, chocantes para a época, ajudaram a mobilizar a opinião pública em favor de leis relativas à educação, trabalho e moradia. Em 1884, por exemplo, conseguiu que fosse formada uma comissão para tratar dos problemas de habitação, a Tenement House Commission.


Riis e o flash fotográfico
“Mas, tudo o que é exposto pela luz torna-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas.” Efésios 5:13
Crianças em farrapos dormiam no meio do lixo em um cortiço

Como os equipamentos eram caros, pesados e frágeis, nenhum fotógrafo se aventurava pelas regiões mais pobres da cidade, e durante algum tempo a fotografia permaneceu como um brinquedo das classes abastadas. Além disso, naquela época a fotografia era inútil para registrar algo que estivesse acontecendo à noite ou num lugar escuro. Jacob Riis achou que estava na hora de mudar isto. Ele foi o primeiro fotógrafo a usar o flash, e, assim, pôde registrar a realidade dos bairros pobres de Nova York, sempre envoltos em trevas e sombras.

Durante o início de 1887, no entanto, Jacob Riis ficou surpreso ao ler sobre uma invenção dos alemães Adolf Miethe e Johannes Gaedicke: uma mistura de magnésio com clorato de potássio e sulfeto de antimônio, formando um pó que, disparado por um dispositivo, a “panela de flash”, iluminava suficientemente a cena. Mas o equipamento do flash era perigoso e tinha que ser manuseado com cuidado. São numerosas as histórias de horror sobre o pó de magnésio, que poderia causar de problemas respiratórios a queimaduras graves. Além disso, o flash era ofuscante e produzia uma torrente de fumaça, incomodando a todos no ambiente.


Riis, uma luz no mundo
“Eu fiz de você luz para os gentios, para que você leve a salvação até aos confins da terra.” Atos 13:47b
Essa "prancha" de madeira era a cama dessa senhora

Jacob Riis foi um homem enérgico, que combinava em sua pessoa o caráter de diácono da igreja de Long Island e de repórter policial em Nova York. Como professor da escola dominical, ele incentivava seus alunos a se envolverem em atividades comunitárias que auxiliassem na redução dos problemas enfrentados pelos trabalhadores pobres e imigrantes de Nova York. Foi dessa forma que ele acabou usando a fotografia para documentar as condições de vida nos bairros mais pobres da cidade.

Riis acumulou muitas fotografias, mas não conseguiu vendê-las para revistas ilustradas. Por isso ele começou a divulgar seu trabalho nas igrejas, inclusive na sua própria. Dessa forma, aumentou consideravelmente o número de pessoas que tiveram contato com suas idéias, e também pôde conhecer outras que tinham o poder de mudar aquela situação. Uma dessas pessoas foi o ex-presidente Theodore Roosevelt, que ficou tão profundamente afetado pelo senso de justiça de Jacob depois de ler sobre as suas exposições, que procurou conhecê-lo, nascendo aí uma amizade para o resto da vida. Mais tarde, comentando sobre Riis, Roosevelt disse: “eu sou tentado a chamá-lo de ‘o melhor americano que eu já conheci’, embora ele já fosse um jovem quando ele veio da Dinamarca para cá”.

Embora suas imagens tenham sido publicadas como gravuras, elas foram capazes de causar um forte impacto sobre a opinião pública. Seu primeiro livro, How the Other Half Lives (Como a outra metade vive), foi publicado em 1890, sendo até hoje um documento comovente do sofrimento humano. Como a pobreza nunca acabou, também o trabalho de Riis nunca teve pausa. Ele seguiu fotografando e escrevendo sempre sobre o mesmo assunto, até morrer aos 65 anos vítima de um ataque cardíaco. Deixou mais de uma dúzia de livros publicados e o seu nome na história da fotografia.


Riis e a Luz do mundo
"Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida". João 8:12
Um homem fica no meio da rua e implora para alguém comprar um de seus lápis

Jacob Riis foi um exemplo de ser humano, de profissional e de cristão. Ele mostrou na prática que a fé não é só coisa de igreja, mas que podemos (e devemos) aplicá-la ao nosso estilo de vida, fazendo tudo para a glória de Deus (1 Co 10:31). Também mostrou que a fé sem obras é morta (Tiago 2:17) e que o amor ao próximo é a marca do crente (1 João 4:8).

Sua vida foi como o flash que inaugurou: uma pequena luz frágil e defeituosa, mas que, sendo manuseada pelo Supremo Fotógrafo (Deus), foi capaz de iluminar o coração de muitos homens, refletindo um pouco da Sua grandeza, bondade e amor. Que o exemplo desse servo de Deus nos incentive a viver como verdadeiras luzes nesse mundo.

“Porque outrora vocês eram trevas,
mas agora são luz no Senhor.
Vivam como filhos da luz.”
Efésios 5:8

Em Cristo,
Débora Silva Costa

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

De quanta fé você precisa para acreditar neste livro?



Este é o questionamento feito por Norman Geisler e Frank Turek já no prefácio de Não tenho fé suficiente para ser ateu (Editora Vida, 2004, 421 páginas), trazendo uma amostra do conteúdo e da proposta do livro. O objetivo central da obra é demonstrar a incoerência da visão de mundo ateísta e apresentar o cristianismo como a alternativa mais plausível.

O próprio título do livro já chama atenção por si só, despertando a curiosidade do leitor para conhecer e refletir sobre o tema. Os autores baseiam-se no argumento de que, para acreditar em algo, desde um livro como Não tenho fé suficiente para ser ateu até uma religião/visão de mundo, é preciso usar primeiramente a razão. Mas a lógica só é capaz de avaliar, não de explicar. Entra em cena a , para preencher as lacunas deixadas. A questão é: em qual sistema de crença é necessário empregar mais fé, por falta de provas racionais? Para Geisler e Turek, uma vez que alguém olha as provas, precisa ter mais fé para ser um não-cristão do que para ser um cristão.

Mas não é apenas o título: o livro também não deixa a desejar em nada. Os autores fizeram um trabalho brilhante, trazendo uma abordagem sistemática e meticulosa, que leva o leitor a passear por vários temas, começando pela filosofia, passando pela física, biologia e história, e culminando na teologia. Este livro foi escrito para refutar os principais argumentos anticristãos que os jovens encontram no ensino médio e nas universidades, mostrando que são fundamentados em premissas falsas ou na pressuposição de que a ciência, a filosofia e os estudos bíblicos são inimigos da fé cristã.

Geisler é doutor em Teologia pelo Seminário Teológico de Dallas, em Filosofia pela Loyola University e ensinou em universidades norte-americanas por mais de 50 anos. Ele é mais conhecido pela suas contribuições nas áreas de apologética (defesa da fé cristã), filosofia e calvinismo, sendo autor e co-autor de mais de 60 livros. Frank Turek possui dois mestrados e é doutor em Apologética pelo Southern Evangelical Seminary. Mesmo sendo dois escritores cristãos, isso não afeta a objetividade e a credibilidade do livro, pois eles baseiam seus argumentos em princípios filosóficos e em provas históricas e científicas, sem tocar, num primeiro momento, na questão da fé.

Geisler e Turek realmente cumprem o que prometem, fazendo as principais perguntas que pairam na mente das pessoas e respondendo a todas elas com clareza, lógica e habilidade. Eles desmontam as afirmações do relativismo moral, da pós-modernidade, do darwinismo, do materialismo, do ceticismo, e até do agnosticismo, que são as bases do pensamento ateu contemporâneo. E, por fim, mostram como o cristianismo responde questões que o ateísmo e outras religiões não são capazes de responder, usando raciocínio direto, lógico e conciso. De quebra, ainda dão dicas de como refutar os críticos do cristianismo.

Não tenho fé suficiente para ser ateu é uma das maiores contribuições aos escritos contemporâneos da área de apologética, o que pode ser visto pelas suas edições esgotadas no Brasil. Em suma, é um livro excelente, que tem uma linguagem o mais simples possível, em se tratando de um livro multidisciplinar, mas que exige um nível mínimo de informação e cultura, o que infelizmente não é a realidade da maioria da população. Além disso, não é um livro pequeno: é preciso disposição para lê-lo do início ao fim, e assim, poder tirar conclusões justas e firmes. Mas, para quem tem uma base intelectual, força de vontade e questionamentos difíceis sobre o cristianismo, é uma leitura que vale a pena.


Débora Silva Costa
(Resenha feita pela estudante para a disciplina de Jornalismo Impresso II do curso de Comunicação Social - Jornalismo.)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A alegria do Senhor é a nossa força


Manuscrito da Torah pertencente ao acervo da Kahal Zur Israel, 
a primeira Sinagoga judaica das Américas, em Recife - PE.

"Tinha Débora dezoito anos de idade quando começou a reinar... E fez o que era reto aos olhos do SENHOR... Sucedeu que, quando os servos da rainha consertavam o templo, o sumo sacerdote se deparou com um achado importante: o livro da Lei do Senhor! Ele correu para contar a notícia ao secretário: ‘Encontrei o livro da Lei no templo do Senhor’. Com o rolo em mãos, o secretário retornou ao palácio e o leu para a rainha. Assim que Débora ouviu as palavras do livro da Lei, rasgou suas vestes...

Ops! Me empolguei em meus devaneios... rsrs
É óbvio que essa história não é minha. Essa é uma adaptação do episódio que mais me chama atenção na história de Josias, relatada em 2Reis 22 e 2Crônicas 34. Foi mais ou menos essa a emoção que senti (claro que não ao ponto de rasgar minhas roupas! rsrs) quando vi pela primeira vez um manuscrito da Bíblia, na minha viagem a Recife. Senti-me “na pele” de vários personagens bíblicos que tiveram esse privilégio de ler ou ouvir as palavras da Lei do Senhor.

Segundo o relato bíblico, Josias foi filho e neto de dois reis – Amom e Manassés, respectivamente – que trouxeram a ruína sobre Judá adorando ídolos e perseguindo as pessoas que serviam ao Senhor. Depois do assassinato de seu pai, Josias foi constituído rei. Mas ele tinha apenas 8 anos de idade! Mesmo sendo tão jovem, Josias foi um dos melhores reis de Judá, trazendo o maior reavivamento espiritual na história daquele povo. No décimo oitavo ano de seu reinado, em meio às obras de reparação do templo, os seus servos descobriram o Livro da Lei que por muitos anos vinha sendo negligenciado pelo povo de Deus.

Da mesma forma lembrei-me de Moisés, o primeiro homem a conhecer a Lei, escrita pelo dedo de Deus em tábuas de pedra e transmitida aos homens no Monte Sinai. Depois da longa escravidão no Egito, o povo de Israel enfim estava livre, mas ainda faltava o principal: chegar à terra prometida. O pecado era real e constante, por diversas vezes no deserto o povo já tinha aborrecido a Deus. Mas Ele é tão misericordioso que deu sua Lei escrita, para regular o pecado daquele povo rebelde e mostrar-lhes um padrão a seguir. Aqueles homens tiveram uma experiência inigualável, pois dessa vez foi o próprio Deus que ditou os Dez Mandamentos (Êxodo 20:18-20):

“E todo o povo viu os trovões e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso retirou-se e pôs-se de longe. E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos. E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis.”

Por fim, pude recordar o episódio em que Esdras, o escriba, leu o Livro da Lei perante o povo de Israel. Esdras liderou a segunda expedição no retorno do cativeiro babilônico, que durara mais de 60 anos como castigo por séculos de pecado e idolatria do povo. Mesmo assim, no regresso a Jerusalém, Esdras se depara com um Israel que continua a adotar muitas práticas pagãs. Ele se torna então um reformador espiritual, chamando o povo ao arrependimento e à restauração. É muito interessante a atitude dos judeus quando, depois de décadas, ouviram a leitura da Lei do Senhor (Esdras 8:5-9):

“E Esdras abriu o livro perante todo o povo; [...] e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. E Esdras louvou ao SENHOR, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém, Amém! Levantaram as suas mãos; e inclinaram suas cabeças, e adoraram ao SENHOR, com os rostos em terra. [...] E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse. [...] E disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao SENHOR vosso Deus, então não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei.” 

Mas por que reações tão fortes?
Por que foi tão grande a emoção de Josias quando ouviu as palavras daquele livro, ao ponto de rasgar as suas roupas? E o temor do povo de Israel ao escutar a voz de Deus no monte Sinai, a ponto de se esconderem? E por que a devoção dos judeus quando Esdras leu a Lei, a ponto de chorarem?

Creio que, no caso de Josias, não foi pelo manuscrito em si, por ser uma relíquia sagrada (ele não era idólatra como os demais reis); muito menos pela importante descoberta histórica (ele também não era arqueólogo nem historiador pra se comover com isso!). No caso do povo de Israel, tanto liderados por Moisés como por Esdras, aquela emoção não foi por mera religiosidade (eles não tinham essas reações diante de outros deuses).

Foi por causa do conteúdo daquele livro que eles se emocionaram. Aquelas pessoas (Josias/ povo de Israel) não apenas ouviram as palavras da Lei, mas eles as compreenderam. Eles puderam conhecer a perfeição de Deus e o padrão que Ele estabeleceu para os homens. Perceberam o quanto estavam distantes da vontade do Senhor e se deram conta da condenação a que estavam expostos.

Tanto a atitude de rasgar as vestes, como de se esconder ou chorar, indicam arrependimento, reconhecimento de quem é Deus e, diante disso, quem nós somos e o que temos feito. O arrependimento genuíno deve atingir a razão, as emoções e a vontade, gerando uma mudança de pensamentos, palavras e atitudes. Como representantes de Israel, Josias, Moisés e Esdras decidiram buscar a Deus, levando também o povo a converter-se dos seus pecados, conhecer a Lei de Deus e adorá-lO.

Essa também deve ser a nossa atitude. Hoje em dia não temos mais acesso aos manuscritos originais, muito menos ouvir a voz de Deus de modo tão claro. Mas temos em mãos a Palavra de Deus preservada ao longo dos milênios, tudo o que precisamos para a nossa salvação e caminhada cristã.

  • Será que temos dado valor ao tesouro que temos?
  • Será que ainda nos comove ouvir e ler essas palavras?
  • Mais do que isso: será que essas palavras ainda nos convencem do nosso pecado e nos levam ao arrependimento?
  • E, por fim, será que essas palavras ainda nos trazem restauração à alma, paz e alegria?

"Portanto não vos entristeçais;
porque a alegria do SENHOR é a vossa força."
Neemias 8:10

Em Cristo,
Débora Silva Costa.

sábado, 10 de setembro de 2011

Quando eu não estava atento

No último post contei o desespero que vivi no dia em que, por negligência minha, quase perdi o meu primeiro voo. Mas Deus foi misericordioso e fez com que uma série de fatos incríveis ocorresse para eu conseguir chegar em casa.
Esse episódio me fez lembrar uma música de Carlos Sider. Medite na letra.


Se paro a pensar no que meu Deus já me deu,
Do pouco e menor, chegando ao muito e maior,
Se atento lembrar em como e quando ocorreu...
Confesso que pouco eu conquistei.
Se paro a pensar no que meu Deus já me deu,
Há coisas que eu nem saberia pedir.
E lá está também o que por tempo esperei
E que Ele mandou de um jeito melhor.
Quando eu não estava desperto,
Tampouco ligado no que estava por vir,
Ou então meus sonhos desfeitos
Me faziam descrer e desistir de lutar.
Quando eu não estava atento,
Já fora de cena e sem esperar...
O meu Deus me deu do melhor,
Me fez muito mais, e foi mais além,
Me fez conhecer um pouco do céu!
Se paro a pensar no que chamar de melhor,
No que vale mais, no que não sei viver sem,
Se atento lembrar em quando foi que eu pedi...
Confesso que não conseguirei.
O que é bem melhor chegou e me surpreendeu,
Chegou quando eu estava em outra estação!
Que tanto eu buscava? Nem lembro o por quê!
Só sei que é melhor o que Ele me deu.

Quando eu não estava desperto,
Tampouco ligado no que estava por vir,
Ou então meus sonhos desfeitos
Me faziam descrer e desistir de lutar.
Quando eu não estava atento,
Já fora de cena e sem esperar...
O meu Deus me deu do melhor,
Me fez muito mais, e foi mais além,
Me fez conhecer um pouco do céu!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O primeiro voo a gente nunca esquece



A visão daquele manuscrito me comoveu. Um rolo imenso com inscrições em hebraico antigo, cuidadosamente guardado numa caixa de vidro. Aquela era a famosa Torah, o texto central do judaísmo. A cópia que eu contemplava faz parte do acervo da Kahal Zur Israel, a primeira sinagoga judaica das Américas, em Recife-PE. Mas para mim aquele livro simbolizava muito mais que uma valiosa peça de museu: era a Palavra de Deus! Senti a mesma a emoção que outros sentiram ao ver ou ouvir as palavras daquele livro. Tive que me segurar para não chorar ali...

Sim, mas e o que isso tem a ver com o voo???
O voo! Meu Deus!!! Distrai-me com a beleza do lugar e quase perdi a hora! Agradeci ao simpático guia do museu, com quem eu animadamente conversava, e desci apressadamente as escadas, rumo à saída. Começava ali uma corrida contra o tempo. O voo com destino a Juazeiro do Norte sairia às 13h54min, e eu sabia que deveria chegar mais cedo, por causa do check-in. Além disso, seria a minha primeira viagem de avião. A expectativa era grande.

Infelizmente a viagem a Recife estava acabando. Naqueles três dias eu havia conhecido muitos lugares interessantes: a praia de Boa Viagem, o Marco Zero de Pernambuco, a cidade de Olinda, entre tantas outras atrações turísticas que ficarão para sempre na minha memória.

Por outro lado, felizmente a viagem estava acabando, pois eu não via a hora de chegar em casa, rever meus amigos e minha família. Tudo tinha sido maravilhoso, mas eu não aguentava mais ficar ali sozinha (apesar de rodeada de gente), sem ter com quem sair ou conversar.

Naquela manhã, quando saí do hotel rumo ao bairro do Recife antigo, eu havia seguido uma trajetória em linha reta. Seria fácil voltar, não tinha erro. Era o que eu pensava. No retorno, ainda distraída com o charme do lugar, entrei na rua errada, desviando-me totalmente da trajetória. Percebi o deslize tarde demais, quando já estava muito longe e tive que andar o dobro para voltar ao caminho. O centro da cidade estava apinhado de gente e isso me atrasava mais. Ainda resolvi desviar da rota e comprar lembrancinhas para alguns amigos. Eu não percebia o tempo precioso que estava perdendo. Tinha quase certeza de que estava no horário previsto, mas eu não contava era com os imprevistos.

Chegando ao hotel, tomei banho e me arrumei o mais rápido que pude. Por sorte (leia-se: Deus!), eu já havia aprontado a mala no dia anterior. Agora só faltava almoçar e pagar a conta do hotel. De manhã, quando saí pra passear, encontrei no centro da cidade uma rua com vários restaurantes onde eu poderia almoçar. Ao meio-dia saí do hotel e comecei a andar, procurando por um daqueles restaurantes. Chegando ao final da rua, não encontrei nenhum. Foi quando percebi que novamente tinha entrado na rua errada. Mas dessa vez era tarde demais para voltar. Procurei um local ali mesmo para almoçar e, graças a Deus, encontrei logo.

Na hora de pagar o almoço, a moça do caixa havia sumido. Comecei a me inquietar, pois já faltava 1h30min para o voo e eu ainda estava ali, no restaurante. Cinco minutos depois ela apareceu, paguei a conta e saí correndo de volta ao hotel. Escovei os dentes, peguei a mala e tranquei o quarto, que ficava no 4º andar. Chegando à porta do elevador, que surpresa: ele estava preso no 5º andar, com uma mulher dentro! Não esperei mais, desci correndo pelas escadas, segurando aquela mala pesada. Nem tive tempo de pensar em como teria sido se fosse eu que tivesse ficado presa no elevador. Com certeza perderia o voo. Mas eu não imaginava que livramentos muito maiores ainda estavam por vir.

Chegando à recepção do hotel, ainda ofegante pela descida apressada, paguei a conta. Avistei na praça em frente alguns táxis parados, mas todos os taxistas estavam almoçando. Olhei o relógio: faltava 1h15min para o voo. O desespero foi aumentando. Foi quando percebi que havia um táxi parado em frente ao hotel, deixando ali algumas encomendas. Acertei com o taxista e entrei no carro, rumo ao aeroporto. Senti um grande alívio.

Para minha surpresa o taxista era crente, o que descobri pelas músicas que ele escutava. Conversávamos amenidades no caminho, quando eu percebi que faltava apenas 1h para o voo. Àquela hora eu já deveria estar no aeroporto, se eu quisesse ir pra casa. Perguntei ao taxista: “Ainda falta muito pra chegarmos?” Ele ficou surpreso com a pergunta e respondeu: “Agora que começamos a andar. Por quê? Que horas sai o seu voo?”

Agora sim, entrei em desespero! Expliquei-lhe a situação e, naquele momento, vi o taxista também enlouquecer! Pisou o pé no acelerador com toda força, ultrapassou vários carros, mas era inútil: o congestionamento àquela hora era enorme. Além disso, o trajeto era repleto de semáforos. Foi quando ele me explicou: “Moça, você tem muita sorte, pois eu peguei um atalho logo no início, mesmo sem saber que você estava atrasada. Se eu tivesse ido pelo caminho de sempre, você não chegaria a tempo. Vou fazer o possível para que você chegue pelo menos meia hora antes. Vou te deixar na porta e, quando entrar no aeroporto, corra para o lado esquerdo, para fazer o check-in.”

Medo de avião? Naquele momento meu único medo era de não estar naquele avião. Eu não sabia se chorava ou se arrancava os cabelos. Resolvi orar. Pedi perdão a Deus pela minha negligência. Pedi que ele me concedesse ainda a graça de entrar no avião. Não prometi nada em troca, pois sabia que, mesmo que eu prometesse nunca mais me atrasar para nada, algum dia eu iria cair no erro novamente. Deus não espera que sejamos perfeitos para nos abençoar. Ele nos abençoa apesar de tudo. "Se somos infiéis, Ele permanece fiel." 2 Timóteo 2:13

E naquele momento eu senti que Deus guiava o táxi, livrando-nos de acidentes e fazendo-me chegar ao aeroporto exatamente 31 minutos antes do voo. O taxista ficou muito preocupado comigo e entregou-me um cartão com seu telefone, pedindo-me que eu ligasse assim que chegasse à minha cidade. Agradeci como pude, peguei a mala e ouvi a sua instrução: “Corra para o lado direito. Confusa, perguntei: “Mas você não tinha dito que era para o lado esquerdo?” A tempo ele corrigiu-se: “Desculpe, eu havia dito errado, é para o lado direito mesmo! Boa viagem!”

Entrei correndo naquele aeroporto, com a mala na mão (na pressa esqueci de pegar logo na entrada uma espécie de 'carrinho' para carregar a bagagem), e segui para o lado esquerdo! Pela terceira vez naquele dia eu entrava no caminho errado, não sei como consegui errar tanto de uma vez só! Quando percebi o equívoco, minha reação foi sair correndo com todas as forças para o lado correto, mas o aeroporto era grande e a mala pesada. O cansaço estava me vencendo. Ainda por cima as pessoas me olhavam como se eu fosse uma louca! Mas eu não me importava: só queria era chegar em casa.

Enfim cheguei ao check-in da empresa correta. Mas o alívio total ainda não tinha chegado. Faltava o mais difícil: entrar no avião. Falei com a atendente e ela me deu a pior notícia da minha vida: “Desculpe, mas o check-in já encerrou. Encerra-se meia hora antes do voo.” Agora sim, com toda certeza, eu sabia o que era desespero. Eu não tinha dinheiro para ficar em Recife até o próximo voo (que seria apenas no dia seguinte), muito menos para pagar uma multa de R$ 100,00 por ter perdido o avião! Não havia nada a fazer, implorar talvez. Foi isso que fiz. Mas não adiantou. A regra era bastante clara.

Parecia um pesadelo. Queria que alguém me acordasse, então eu estaria na minha cama, em casa. Olhei para todos os lados do aeroporto com uma sensação horrível, de abandono, solidão, impotência... A primeira lágrima preparava-se para cair do meu olhar, quando ouvi a voz de um rapaz atrás de mim. Ele deveria estar no mesmo voo que eu, mas chegou igualmente atrasado. Falou com a atendente e ouviu a mesma resposta. É... pelo menos agora eu tinha companhia no desespero. Mas o rapaz não se abalou. Disse: “Quero falar com o gerente. Sou funcionário da Infraero, tenho que ir nesse voo.” Aquelas palavras pareciam música para os meus ouvidos. Intrometi-me na conversa e também exigi falar com o gerente. Não foi preciso. Outro funcionário chegou e, intimidado pela posição do rapaz, deixou-o passar. E, para não ser injusto, deixou-me ir também.

Parecia um sonho. Mas agora eu não queria mais acordar. Queria sim, realizar o sonho que era meu e de muita gente, de viajar de avião, por que não? Peguei meu comprovante e segui para o portão de embarque. Percebi que meus braços doíam e que as alças da mala tinham deixado marcas. Não sei de onde tirei forças para carregá-la. Mas agora nada disso importava: eu estava em estado de graça.

Mas, antes do voo, um último susto: ao colocar a mala na esteira, rasguei o comprovante sem querer. Que desastrada! Olhei para a funcionária com uma cara de choro e ela disse: “Deixe-me ver. Se tiver rasgado o código de barras, teremos que imprimir outro.” Havia dois códigos de barra naquele papel, um ao lado do outro, separados por um espaço de meio centímetro. Incrivelmente, o papel rasgou-se exatamente entre os dois códigos de barra, deixando-os intactos! Deus é maravilhoso! Ele é milimetricamente exato, até quando transforma nossos erros em bênçãos para nós e glória para Ele. "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus." Romanos 8:28

Quando enfim entrei no avião, ainda estava meio desorientada, sem acreditar como e porque eu estava ali. Ao ver Recife de cima, do alto das nuvens, experimentei uma das melhores sensações da minha vida. Não sabia se ria ou se chorava. Fiz as duas coisas. E fiz também uma oração de gratidão a Deus. Não era a beleza da paisagem, mas a beleza do meu Deus que me comovia. E hoje escrevo esse texto para agradecer a Ele, pois para mim uma série de acontecimentos tão incríveis jamais poderiam ter sido mera coincidência. O meu primeiro voo com certeza jamais esquecerei.

"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são a cada manhã." Lamentações 3:22, 23



Em Cristo,
Débora Silva Costa.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O rei e a camponesa



O escritor Philip Yancey adapta uma parábola do filósofo cristão Sören Kierkegaard que nos ajuda a compreender de que maneira Deus tenta nos salvar ao mesmo tempo que respeita nossa liberdade. É uma parábola de um rei que ama uma moça humilde:


Não havia rei como ele. Todos os estadistas tremiam diante de seu poder. Ninguém ousava pronunciar uma palavra contra ele, pois este rei possuía a força para esmagar todos os oponentes. E, ainda assim, esse poderoso rei derreteu-se de amores por uma moça humilde. Como podia declarar seu amor por ela? Por ironia, sua própria realeza deixava-o de mãos amarradas. Caso a trouxesse ao palácio, lhe coroasse a cabeça com jóias e lhe vestisse o corpo com vestes reais, certamente ela não resistiria — ninguém ousava resistir-lhe. Mas ela o amaria? É claro que diria que o amava, mas amá-la de verdade? Ou iria viver com ele temerosa, secretamente se lastimando pela vida que havia deixado para trás? Seria feliz ao seu lado? Como ele poderia saber? Caso fosse na carruagem real até a cabana dela na floresta, com uma escolta armada balançando imponentes estandartes, isso também a atordoaria. Ele não desejava uma súdita servil. Desejava uma amante, uma igual. Desejava que ela esquecesse que ele era rei e ela uma moça humilde e que deixasse que o amor partilhado vencesse o abismo existente entre eles.

"Pois é somente no amor que o desigual pode ser feito igual", concluiu Kierkegaard.

Esse é exatamente o mesmo problema que Deus enfrenta em sua busca por você e eu: se ele se impuser sobre nós com seu poder, não seremos livres para amá-lo (amor e poder freqüentemente possuem relações opostas). Ainda que mantenhamos nossa liberdade, podemos não amá-lo, mas simplesmente amar aquilo que ele nos dá. O que Deus pode fazer? Veja o que o rei fez:


o rei, convencido de que não poderia fazer a moça melhorar sua condição social sem reprimir sua liberdade, decidiu rebaixar-se. Vestiu-se de pedinte e aproximou-se da cabana incógnito, com uma capa surrada, frouxa, esvoaçando ao seu redor. Não era um mero disfarce, mas uma nova identidade que assumiu. Renunciou ao trono para ganhar a mão dela.


Foi exatamente isso o que Deus fez para ganhar você e eu! Ele se rebaixou até o nível humano — na verdade, a uma das mais baixas posições sociais que alguém poderia assumir — a de um servo. Paulo descreve o sacrifício de Cristo dessa maneira em sua carta aos Filipenses (2.5-8):

Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a SI mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!

Imagine o Criador do Universo humilhando-se a ponto de se tornar servo, sofrer e morrer nas mãos das próprias criaturas que ele criou! Por que ele faria isso? Porque seu amor infinito o compele a oferecer salvação àqueles que foram criados à sua imagem. Assumir a forma de um servo humano era a única maneira de ele nos oferecer salvação sem negar nossa capacidade de aceitá-la.



Extraído do Livro "Não tenho fé suficiente para ser ateu" - Norman Geisler e Frank Turek

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Vida Solitária



Ele nasceu numa vila obscura, filho de um camponês. Cresceu em outra vila, onde trabalhou como carpinteiro até os 30 anos. Então por três anos, foi um pregador itinerante.


Ele nunca escreveu um livro. Nunca teve um escritório. Nunca constituiu família nem teve uma casa. Ele não foi para a faculdade. Nunca viveu em uma cidade grande. Nunca viajou a mais de 300 quilômetros do lugar onde nasceu. Nunca realizou as coisas que normalmente acompanham a grandeza. Ele não tinha credenciais, a não ser ele mesmo.

Tinha apenas 33 anos quando a onda da opinião pública voltou-se contra ele. Seus amigos fugiram. Um deles o negou. Foi entregue aos seus inimigos e sofreu humilhação durante o seu julgamento. Foi pregado em uma cruz entre dois ladrões. Enquanto estava morrendo, seus executores disputaram por meio de sortes suas roupas, a única coisa material que possuíra. Quando morreu, foi colocado em um túmulo emprestado, por compaixão de um amigo.

Vinte séculos se passaram, e hoje ele é a figura central para grande parte da raça humana. Sinto-me plenamente confiante quando digo que todos os exércitos que já marcharam, todos os navios que já navegaram, todos os parlamentos que já discutiram, e todos os reis que já reinaram, colocados juntos, não afetaram a vida dos homens nesta terra tanto quanto aquela vida solitária.

Sermão de James Allan Francis


(extraído do livro "Não tenho fé suficiente para ser ateu" - Norman Geisler e Frank Turek)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Conferência traz ao Cariri o Pr. Jefferson Quevedo



Conferência traz ao Cariri o Pr. Jefferson Quevedo

Na ocasião, ele apresentou um projeto pioneiro de formação de missionários na Índia


A Conferência Missionária 2011 da AMEN, realizada nos dias 28 a 30 de abril no Seminário Batista do Cariri - SBC, em Crato, discutiu o tema “Missões, privilégio ou responsabilidade?”. O evento teve a participação de membros das 30 igrejas Batistas Regulares da região. O destaque ficou por conta das palestras do pastor e missionário Jefferson Quevedo, que trabalha num projeto inovador: propagar o cristianismo na Índia através dos próprios indianos.

Organizada pela AMEN, Associação de Missões Estrangeiras e Nacionais do SBC, a Conferência trouxe ao Cariri o Pr. Jefferson Quevedo, da Primeira Igreja Batista Regular de Curitiba, acompanhado de sua esposa Irmgard Meyer Soares, com quem tem quatro filhos: Juliane, 22, Jefferson Wilhelm, 20, Jairo, 18 e Jeanne, 16. O missionário tem visitado igrejas em todo o país buscando apoio para a execução do Projeto Visão Brasil-Índia 2020.

O Projeto
Visão Brasil-Índia 2020 é um trabalho desenvolvido pela Missão Batista Brasileira Fundamentalista - MBBF, um esforço conjunto de igrejas nacionais para evangelizar cada região da Índia. O projeto iniciou-se no ano 2000, tendo o ano de 2020 como alvo. O diferencial é o método utilizado: ao invés de enviar missionários brasileiros à Índia, os próprios cristãos indianos são preparados para evangelizar os povos não-alcançados, isto é, comunidades onde não há cristianismo.





“é um país extremamente populoso
(mais de seis vezes a população do Brasil,
num espaço três vezes menor)
e muito carente do evangelho.”



De acordo com o Pr. Jefferson “os missionários nacionais indianos são mais fáceis de ser recebidos e de ser sustentados.” O custo médio é de apenas R$ 300,00 a R$ 500,00 por mês para sustentar um missionário indiano, bem mais barato do que enviar um missionário brasileiro, que só na viagem de ida e volta à Índia gasta cerca de R$ 5.000,00, fora o que é necessário para manter-se no país. Além disso, pesam também as barreiras culturais e linguísticas. Estima-se que existam 24 línguas e 1600 dialetos no país, sendo o híndi e o inglês os idiomas oficiais.

O trabalho não se restringe à formação e sustento de missionários, mas inclui também a compra de materiais evangelísticos, construção de igrejas e ajuda humanitária. Em 2009, na viagem de reconhecimento, o missionário visitou 20 igrejas, 25 seminários, além de várias escolas e orfanatos na Índia. Mas, segundo o Pr. Jefferson, ainda há muito a fazer: “é um país extremamente populoso (mais de seis vezes a população do Brasil, num espaço três vezes menor) e muito carente do evangelho.”

A Índia não é um país muito receptivo ao cristianismo. A constituição do país assegura a liberdade religiosa, no entanto as leis locais, dos estados e municípios, ferem esta constituição. Segundo dados de outra missão, a Portas Abertas, a Índia ocupa o 32º lugar no ranking de países por perseguição aos cristãos, o que inclui tanto católicos como protestantes. No país não é permitida a entrada de missionários, mas a ajuda humanitária é bem recebida. “Minha esposa é técnica em enfermagem e gosta muito dessa área. Isso poderia ser uma chave para entrar naquele país”, afirma o missionário.



A Conferência
Além do missionário Jefferson Quevedo, a Conferência Missionária 2010 contou também com oficinas de métodos de evangelismo e relatórios do trabalho de campo de alguns missionários caririenses. Para realizar o evento, a equipe da AMEN vem se mobilizando desde o ano passado através de venda de lanches, de camisas, além de ofertas voluntárias das igrejas e do próprio Seminário Batista.

Fundada em 1981, a AMEN faz também reuniões semanais no Seminário e divulga missões nas igrejas do Cariri uma vez por mês, através de uma equipe especial. O objetivo é sempre o mesmo: convocar pessoas e igrejas para trabalharem na divulgação do cristianismo no Brasil e no exterior.

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MISSÕES, PRIVILÉGIO OU RESPONSABILIDADE?

Este foi o tema escolhido pela AMEN para a Conferência Missionária 2011, abordando a necessidade de compreender “missões”, assunto que, para os cristãos “é relevante e urgente”, segundo Pedro Gomes, 19, seminarista e membro da Igreja Batista Regular do Novo Juazeiro. Para ele, “é um evento importante, pois desperta os jovens tanto para ir, como para ajudar outros que já estão no trabalho missionário”.

Mariângela Salviano, 19, também seminarista e membro da Igreja Batista Regular da Paz, em Juazeiro do Norte, participa da equipe da AMEN desde o ano passado. Ela afirma que as palestras lhe deram uma nova visão sobre a sua vocação. “Antes eu pensava em trabalhar no Cariri com meninas que sofreram abuso. Ainda quero trabalhar nisso, mas há algum tempo Deus vem me mostrando outro lugar, e essa Conferência só confirmou.”

“Vários seminaristas têm compartilhado comigo como Deus tem falado a seus corações”, afirma o Pr. Jefferson. Para ele, a Conferência é uma oportunidade de ouro, pois nela reúnem-se vários missionários em potencial. “Missões é tanto um privilégio, uma dádiva de Deus, como também uma responsabilidade, pois deve ser feito da maneira que Deus quer”, completa o seminarista Pedro Gomes, mostrando o que aprendeu no evento.



Débora Silva Costa
(Notícia apresentada pela estudante no 1º semestre de 2011 na disciplina de Jornalismo Impresso I, do curso de Jornalismo na UFC - Cariri)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Vaga-luz


Viaja vagaroso o vagão na escuridão.
Seu destino é certo: vai pra estação.
Pelos trilhos segue,
Seu alvo persegue
Sem se desviar.
E eu aqui, sentada,
Sozinha, calada,
Fico a divagar.


Vagueia velozmente minha alma na ilusão.
Sem pagar passagem e sem direção.
Mesmo sem motivo,
Sem objetivo,
Quer chegar primeiro.
Sem trilha, sem pista,
E o maquinista
É o passageiro.


Vaga vaga-lume vagabundo no vagão.
Voa lentamente, segue o coração.
Faz o seu caminho,
Às vezes sozinho,
Mas sempre contente.
Sua luz pequenina
Seduz, alucina,
Faz vagar a mente.


Diminuto vaga-lume,
Por que vagas pelo ar?


“- Ora, eu sei lá!
Minha sina é vagar
E iluminar...”


Será também minha sina?
Diz pra mim, luz pequenina!
Dê uma luz pra esta menina!


“- Vagar? Queira não...
Basta no pensamento!
Vida vazia é tormento.
Vida errante é sofrimento.”


Eu quero iluminar!
Resplandecer, irradiar.
'Inda que só um pontinho
Brilhando sozinho
Na escuridão.
Por menor que ele seja
Não há quem não veja
E não preste atenção.

Um vaga-lume, uma vela, um farol,
Uma lanterna, uma tocha, o Sol.
Eu quero ser luz!
Por onde for, clarear,
Na casa, na rua, no mar,
No fim do túnel,
A luz...
Mostra o caminho,
Aponta os espinhos,
Reluz...
Do sono me acorda
E me traz de volta
À realidade.

Débora Silva Costa

segunda-feira, 28 de março de 2011

Carpe Diem



“Curta a vida, pois a vida é curta.” E realmente é. A única certeza na vida de todo homem é saber que um dia irá morrer. E, mesmo que muitos evitem o assunto, não há ninguém que nunca tenha pensado sobre isso. Salomão diz em Eclesiastes 7:2: “É melhor estar num velório do que ir a uma festa, pois todos vão morrer um dia, e é bom pensar nisso enquanto ainda há tempo.” Mas não é preciso ir a um funeral para compreender que a morte é certa, muitas vezes repentina, não faz acepção de pessoas e não depende da nossa vontade. (Ec 8:8a)


Não é minha intenção causar temor ao falar sobre a morte, mas sim estimular uma nova postura diante da vida. “Ninguém pode fazer o homem voltar depois de morto para aproveitar aquilo que ainda vai acontecer.” (Ec 3:22b) Eis a atitude correta a se adotar diante da vida: Aproveitá-la! Como diz aquela música: "Viver e não ter a vergonha de ser feliz."


Buscar a felicidade não é pecado. Muitos sabem que não é, mas agem como se fosse. Pelo contrário, Deus é mais glorificado quando somos felizes. “Que adianta o homem viver dois mil anos sem desfrutar a felicidade?” (Ec 6:6)


Não buscar a felicidade é pecado. Buscar recompensa pelas nossas obras não é errado. O pecado está em desejar apenas as recompensas materiais e não as espirituais, como os galardões. Deus por várias vezes incentiva e até mesmo ordena em sua palavra que aproveitemos a vida. É um mandamento. “Por isso, desfrute a vida...” (Ec 8:15a) Alegre-se em todos os dias de sua vida.” (Ec 11:8a)


A vida é um presente de Deus (Ec 3:13) e Ele quer muito que nós o utilizemos, gastemos, aproveitemos. Ele não quer que olhemos pra esse presente e reclamemos porque não é do jeito que esperávamos, porque não é perfeito, porque não é igual ao do vizinho, ou porque exige esforço de nossa parte. “Aceitar o seu destino e aproveitar aquilo que ganha, isso é sem dúvida um presente de Deus.” (Ec 5:19b)


Nós não temos tudo o que queremos. É ilusão achar que seremos plenamente satisfeitos nessa vida, pois nosso coração é ambicioso e sempre quer mais e melhor.


Nós temos tudo o que precisamos. Olhe ao seu redor. Você tem saúde, família, emprego, comida, roupa, casa. Mesmo que não tenha todas essas coisas, tem pelo menos alguma delas. Mesmo que não tenha nenhuma delas (o que é muito difícil), mas você tem vida e isso é o suficiente para ser feliz.


Felicidade é diferente de alegria. Felicidade não é um estado, uma emoção. Felicidade é um modo de vida, uma decisão. A felicidade não está em momentos, pessoas, eventos, coisas, circunstâncias. A felicidade está no modo como enxergamos e aproveitamos a vida. “Contudo, você deve lembrar que há dias de trevas, e serão muitos.” (Ec 11:8b) Mas é possível ser feliz até na tristeza. Como?

Só há felicidade com Deus. “Porque ninguém pode se alegrar (...) sem Deus.” (Ec 2:25)

Ser feliz é praticar o bem enquanto viver (Ec 3:12).

Ser feliz é ter pessoas para compartilhar (Ec 4:8) e amar (Ec 9:9).

Ser feliz é fazer tudo com prazer (Ec 9:7) e bem feito (Ec 9:10a).

Ser feliz é fazer tudo o que tem vontade de fazer e conhecer, mas ciente das consequências. (Ec 11:9b)

Ser feliz é temer a Deus e guardar os seus mandamentos (Ec 12:13).

“A pessoa que fizer isso não precisará olhar para trás e se preocupar com a brevidade da vida, porque Deus encheu seu coração de alegria.” (Ec 5:20)


CARPE DIEM (Aproveite o momento)!!!

Em Cristo,

Débora Silva Costa.

(Passagens retiradas da Nova Bíblia Viva, Editora Mundo Cristão.)
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