segunda-feira, 23 de maio de 2011

Vaga-luz


Viaja vagaroso o vagão na escuridão.
Seu destino é certo: vai pra estação.
Pelos trilhos segue,
Seu alvo persegue
Sem se desviar.
E eu aqui, sentada,
Sozinha, calada,
Fico a divagar.


Vagueia velozmente minha alma na ilusão.
Sem pagar passagem e sem direção.
Mesmo sem motivo,
Sem objetivo,
Quer chegar primeiro.
Sem trilha, sem pista,
E o maquinista
É o passageiro.


Vaga vaga-lume vagabundo no vagão.
Voa lentamente, segue o coração.
Faz o seu caminho,
Às vezes sozinho,
Mas sempre contente.
Sua luz pequenina
Seduz, alucina,
Faz vagar a mente.


Diminuto vaga-lume,
Por que vagas pelo ar?


“- Ora, eu sei lá!
Minha sina é vagar
E iluminar...”


Será também minha sina?
Diz pra mim, luz pequenina!
Dê uma luz pra esta menina!


“- Vagar? Queira não...
Basta no pensamento!
Vida vazia é tormento.
Vida errante é sofrimento.”


Eu quero iluminar!
Resplandecer, irradiar.
'Inda que só um pontinho
Brilhando sozinho
Na escuridão.
Por menor que ele seja
Não há quem não veja
E não preste atenção.

Um vaga-lume, uma vela, um farol,
Uma lanterna, uma tocha, o Sol.
Eu quero ser luz!
Por onde for, clarear,
Na casa, na rua, no mar,
No fim do túnel,
A luz...
Mostra o caminho,
Aponta os espinhos,
Reluz...
Do sono me acorda
E me traz de volta
À realidade.

Débora Silva Costa
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