quinta-feira, 22 de setembro de 2011

De quanta fé você precisa para acreditar neste livro?



Este é o questionamento feito por Norman Geisler e Frank Turek já no prefácio de Não tenho fé suficiente para ser ateu (Editora Vida, 2004, 421 páginas), trazendo uma amostra do conteúdo e da proposta do livro. O objetivo central da obra é demonstrar a incoerência da visão de mundo ateísta e apresentar o cristianismo como a alternativa mais plausível.

O próprio título do livro já chama atenção por si só, despertando a curiosidade do leitor para conhecer e refletir sobre o tema. Os autores baseiam-se no argumento de que, para acreditar em algo, desde um livro como Não tenho fé suficiente para ser ateu até uma religião/visão de mundo, é preciso usar primeiramente a razão. Mas a lógica só é capaz de avaliar, não de explicar. Entra em cena a , para preencher as lacunas deixadas. A questão é: em qual sistema de crença é necessário empregar mais fé, por falta de provas racionais? Para Geisler e Turek, uma vez que alguém olha as provas, precisa ter mais fé para ser um não-cristão do que para ser um cristão.

Mas não é apenas o título: o livro também não deixa a desejar em nada. Os autores fizeram um trabalho brilhante, trazendo uma abordagem sistemática e meticulosa, que leva o leitor a passear por vários temas, começando pela filosofia, passando pela física, biologia e história, e culminando na teologia. Este livro foi escrito para refutar os principais argumentos anticristãos que os jovens encontram no ensino médio e nas universidades, mostrando que são fundamentados em premissas falsas ou na pressuposição de que a ciência, a filosofia e os estudos bíblicos são inimigos da fé cristã.

Geisler é doutor em Teologia pelo Seminário Teológico de Dallas, em Filosofia pela Loyola University e ensinou em universidades norte-americanas por mais de 50 anos. Ele é mais conhecido pela suas contribuições nas áreas de apologética (defesa da fé cristã), filosofia e calvinismo, sendo autor e co-autor de mais de 60 livros. Frank Turek possui dois mestrados e é doutor em Apologética pelo Southern Evangelical Seminary. Mesmo sendo dois escritores cristãos, isso não afeta a objetividade e a credibilidade do livro, pois eles baseiam seus argumentos em princípios filosóficos e em provas históricas e científicas, sem tocar, num primeiro momento, na questão da fé.

Geisler e Turek realmente cumprem o que prometem, fazendo as principais perguntas que pairam na mente das pessoas e respondendo a todas elas com clareza, lógica e habilidade. Eles desmontam as afirmações do relativismo moral, da pós-modernidade, do darwinismo, do materialismo, do ceticismo, e até do agnosticismo, que são as bases do pensamento ateu contemporâneo. E, por fim, mostram como o cristianismo responde questões que o ateísmo e outras religiões não são capazes de responder, usando raciocínio direto, lógico e conciso. De quebra, ainda dão dicas de como refutar os críticos do cristianismo.

Não tenho fé suficiente para ser ateu é uma das maiores contribuições aos escritos contemporâneos da área de apologética, o que pode ser visto pelas suas edições esgotadas no Brasil. Em suma, é um livro excelente, que tem uma linguagem o mais simples possível, em se tratando de um livro multidisciplinar, mas que exige um nível mínimo de informação e cultura, o que infelizmente não é a realidade da maioria da população. Além disso, não é um livro pequeno: é preciso disposição para lê-lo do início ao fim, e assim, poder tirar conclusões justas e firmes. Mas, para quem tem uma base intelectual, força de vontade e questionamentos difíceis sobre o cristianismo, é uma leitura que vale a pena.


Débora Silva Costa
(Resenha feita pela estudante para a disciplina de Jornalismo Impresso II do curso de Comunicação Social - Jornalismo.)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A alegria do Senhor é a nossa força


Manuscrito da Torah pertencente ao acervo da Kahal Zur Israel, 
a primeira Sinagoga judaica das Américas, em Recife - PE.

"Tinha Débora dezoito anos de idade quando começou a reinar... E fez o que era reto aos olhos do SENHOR... Sucedeu que, quando os servos da rainha consertavam o templo, o sumo sacerdote se deparou com um achado importante: o livro da Lei do Senhor! Ele correu para contar a notícia ao secretário: ‘Encontrei o livro da Lei no templo do Senhor’. Com o rolo em mãos, o secretário retornou ao palácio e o leu para a rainha. Assim que Débora ouviu as palavras do livro da Lei, rasgou suas vestes...

Ops! Me empolguei em meus devaneios... rsrs
É óbvio que essa história não é minha. Essa é uma adaptação do episódio que mais me chama atenção na história de Josias, relatada em 2Reis 22 e 2Crônicas 34. Foi mais ou menos essa a emoção que senti (claro que não ao ponto de rasgar minhas roupas! rsrs) quando vi pela primeira vez um manuscrito da Bíblia, na minha viagem a Recife. Senti-me “na pele” de vários personagens bíblicos que tiveram esse privilégio de ler ou ouvir as palavras da Lei do Senhor.

Segundo o relato bíblico, Josias foi filho e neto de dois reis – Amom e Manassés, respectivamente – que trouxeram a ruína sobre Judá adorando ídolos e perseguindo as pessoas que serviam ao Senhor. Depois do assassinato de seu pai, Josias foi constituído rei. Mas ele tinha apenas 8 anos de idade! Mesmo sendo tão jovem, Josias foi um dos melhores reis de Judá, trazendo o maior reavivamento espiritual na história daquele povo. No décimo oitavo ano de seu reinado, em meio às obras de reparação do templo, os seus servos descobriram o Livro da Lei que por muitos anos vinha sendo negligenciado pelo povo de Deus.

Da mesma forma lembrei-me de Moisés, o primeiro homem a conhecer a Lei, escrita pelo dedo de Deus em tábuas de pedra e transmitida aos homens no Monte Sinai. Depois da longa escravidão no Egito, o povo de Israel enfim estava livre, mas ainda faltava o principal: chegar à terra prometida. O pecado era real e constante, por diversas vezes no deserto o povo já tinha aborrecido a Deus. Mas Ele é tão misericordioso que deu sua Lei escrita, para regular o pecado daquele povo rebelde e mostrar-lhes um padrão a seguir. Aqueles homens tiveram uma experiência inigualável, pois dessa vez foi o próprio Deus que ditou os Dez Mandamentos (Êxodo 20:18-20):

“E todo o povo viu os trovões e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso retirou-se e pôs-se de longe. E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos. E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis.”

Por fim, pude recordar o episódio em que Esdras, o escriba, leu o Livro da Lei perante o povo de Israel. Esdras liderou a segunda expedição no retorno do cativeiro babilônico, que durara mais de 60 anos como castigo por séculos de pecado e idolatria do povo. Mesmo assim, no regresso a Jerusalém, Esdras se depara com um Israel que continua a adotar muitas práticas pagãs. Ele se torna então um reformador espiritual, chamando o povo ao arrependimento e à restauração. É muito interessante a atitude dos judeus quando, depois de décadas, ouviram a leitura da Lei do Senhor (Esdras 8:5-9):

“E Esdras abriu o livro perante todo o povo; [...] e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. E Esdras louvou ao SENHOR, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém, Amém! Levantaram as suas mãos; e inclinaram suas cabeças, e adoraram ao SENHOR, com os rostos em terra. [...] E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse. [...] E disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao SENHOR vosso Deus, então não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei.” 

Mas por que reações tão fortes?
Por que foi tão grande a emoção de Josias quando ouviu as palavras daquele livro, ao ponto de rasgar as suas roupas? E o temor do povo de Israel ao escutar a voz de Deus no monte Sinai, a ponto de se esconderem? E por que a devoção dos judeus quando Esdras leu a Lei, a ponto de chorarem?

Creio que, no caso de Josias, não foi pelo manuscrito em si, por ser uma relíquia sagrada (ele não era idólatra como os demais reis); muito menos pela importante descoberta histórica (ele também não era arqueólogo nem historiador pra se comover com isso!). No caso do povo de Israel, tanto liderados por Moisés como por Esdras, aquela emoção não foi por mera religiosidade (eles não tinham essas reações diante de outros deuses).

Foi por causa do conteúdo daquele livro que eles se emocionaram. Aquelas pessoas (Josias/ povo de Israel) não apenas ouviram as palavras da Lei, mas eles as compreenderam. Eles puderam conhecer a perfeição de Deus e o padrão que Ele estabeleceu para os homens. Perceberam o quanto estavam distantes da vontade do Senhor e se deram conta da condenação a que estavam expostos.

Tanto a atitude de rasgar as vestes, como de se esconder ou chorar, indicam arrependimento, reconhecimento de quem é Deus e, diante disso, quem nós somos e o que temos feito. O arrependimento genuíno deve atingir a razão, as emoções e a vontade, gerando uma mudança de pensamentos, palavras e atitudes. Como representantes de Israel, Josias, Moisés e Esdras decidiram buscar a Deus, levando também o povo a converter-se dos seus pecados, conhecer a Lei de Deus e adorá-lO.

Essa também deve ser a nossa atitude. Hoje em dia não temos mais acesso aos manuscritos originais, muito menos ouvir a voz de Deus de modo tão claro. Mas temos em mãos a Palavra de Deus preservada ao longo dos milênios, tudo o que precisamos para a nossa salvação e caminhada cristã.

  • Será que temos dado valor ao tesouro que temos?
  • Será que ainda nos comove ouvir e ler essas palavras?
  • Mais do que isso: será que essas palavras ainda nos convencem do nosso pecado e nos levam ao arrependimento?
  • E, por fim, será que essas palavras ainda nos trazem restauração à alma, paz e alegria?

"Portanto não vos entristeçais;
porque a alegria do SENHOR é a vossa força."
Neemias 8:10

Em Cristo,
Débora Silva Costa.

sábado, 10 de setembro de 2011

Quando eu não estava atento

No último post contei o desespero que vivi no dia em que, por negligência minha, quase perdi o meu primeiro voo. Mas Deus foi misericordioso e fez com que uma série de fatos incríveis ocorresse para eu conseguir chegar em casa.
Esse episódio me fez lembrar uma música de Carlos Sider. Medite na letra.


Se paro a pensar no que meu Deus já me deu,
Do pouco e menor, chegando ao muito e maior,
Se atento lembrar em como e quando ocorreu...
Confesso que pouco eu conquistei.
Se paro a pensar no que meu Deus já me deu,
Há coisas que eu nem saberia pedir.
E lá está também o que por tempo esperei
E que Ele mandou de um jeito melhor.
Quando eu não estava desperto,
Tampouco ligado no que estava por vir,
Ou então meus sonhos desfeitos
Me faziam descrer e desistir de lutar.
Quando eu não estava atento,
Já fora de cena e sem esperar...
O meu Deus me deu do melhor,
Me fez muito mais, e foi mais além,
Me fez conhecer um pouco do céu!
Se paro a pensar no que chamar de melhor,
No que vale mais, no que não sei viver sem,
Se atento lembrar em quando foi que eu pedi...
Confesso que não conseguirei.
O que é bem melhor chegou e me surpreendeu,
Chegou quando eu estava em outra estação!
Que tanto eu buscava? Nem lembro o por quê!
Só sei que é melhor o que Ele me deu.

Quando eu não estava desperto,
Tampouco ligado no que estava por vir,
Ou então meus sonhos desfeitos
Me faziam descrer e desistir de lutar.
Quando eu não estava atento,
Já fora de cena e sem esperar...
O meu Deus me deu do melhor,
Me fez muito mais, e foi mais além,
Me fez conhecer um pouco do céu!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O primeiro voo a gente nunca esquece



A visão daquele manuscrito me comoveu. Um rolo imenso com inscrições em hebraico antigo, cuidadosamente guardado numa caixa de vidro. Aquela era a famosa Torah, o texto central do judaísmo. A cópia que eu contemplava faz parte do acervo da Kahal Zur Israel, a primeira sinagoga judaica das Américas, em Recife-PE. Mas para mim aquele livro simbolizava muito mais que uma valiosa peça de museu: era a Palavra de Deus! Senti a mesma a emoção que outros sentiram ao ver ou ouvir as palavras daquele livro. Tive que me segurar para não chorar ali...

Sim, mas e o que isso tem a ver com o voo???
O voo! Meu Deus!!! Distrai-me com a beleza do lugar e quase perdi a hora! Agradeci ao simpático guia do museu, com quem eu animadamente conversava, e desci apressadamente as escadas, rumo à saída. Começava ali uma corrida contra o tempo. O voo com destino a Juazeiro do Norte sairia às 13h54min, e eu sabia que deveria chegar mais cedo, por causa do check-in. Além disso, seria a minha primeira viagem de avião. A expectativa era grande.

Infelizmente a viagem a Recife estava acabando. Naqueles três dias eu havia conhecido muitos lugares interessantes: a praia de Boa Viagem, o Marco Zero de Pernambuco, a cidade de Olinda, entre tantas outras atrações turísticas que ficarão para sempre na minha memória.

Por outro lado, felizmente a viagem estava acabando, pois eu não via a hora de chegar em casa, rever meus amigos e minha família. Tudo tinha sido maravilhoso, mas eu não aguentava mais ficar ali sozinha (apesar de rodeada de gente), sem ter com quem sair ou conversar.

Naquela manhã, quando saí do hotel rumo ao bairro do Recife antigo, eu havia seguido uma trajetória em linha reta. Seria fácil voltar, não tinha erro. Era o que eu pensava. No retorno, ainda distraída com o charme do lugar, entrei na rua errada, desviando-me totalmente da trajetória. Percebi o deslize tarde demais, quando já estava muito longe e tive que andar o dobro para voltar ao caminho. O centro da cidade estava apinhado de gente e isso me atrasava mais. Ainda resolvi desviar da rota e comprar lembrancinhas para alguns amigos. Eu não percebia o tempo precioso que estava perdendo. Tinha quase certeza de que estava no horário previsto, mas eu não contava era com os imprevistos.

Chegando ao hotel, tomei banho e me arrumei o mais rápido que pude. Por sorte (leia-se: Deus!), eu já havia aprontado a mala no dia anterior. Agora só faltava almoçar e pagar a conta do hotel. De manhã, quando saí pra passear, encontrei no centro da cidade uma rua com vários restaurantes onde eu poderia almoçar. Ao meio-dia saí do hotel e comecei a andar, procurando por um daqueles restaurantes. Chegando ao final da rua, não encontrei nenhum. Foi quando percebi que novamente tinha entrado na rua errada. Mas dessa vez era tarde demais para voltar. Procurei um local ali mesmo para almoçar e, graças a Deus, encontrei logo.

Na hora de pagar o almoço, a moça do caixa havia sumido. Comecei a me inquietar, pois já faltava 1h30min para o voo e eu ainda estava ali, no restaurante. Cinco minutos depois ela apareceu, paguei a conta e saí correndo de volta ao hotel. Escovei os dentes, peguei a mala e tranquei o quarto, que ficava no 4º andar. Chegando à porta do elevador, que surpresa: ele estava preso no 5º andar, com uma mulher dentro! Não esperei mais, desci correndo pelas escadas, segurando aquela mala pesada. Nem tive tempo de pensar em como teria sido se fosse eu que tivesse ficado presa no elevador. Com certeza perderia o voo. Mas eu não imaginava que livramentos muito maiores ainda estavam por vir.

Chegando à recepção do hotel, ainda ofegante pela descida apressada, paguei a conta. Avistei na praça em frente alguns táxis parados, mas todos os taxistas estavam almoçando. Olhei o relógio: faltava 1h15min para o voo. O desespero foi aumentando. Foi quando percebi que havia um táxi parado em frente ao hotel, deixando ali algumas encomendas. Acertei com o taxista e entrei no carro, rumo ao aeroporto. Senti um grande alívio.

Para minha surpresa o taxista era crente, o que descobri pelas músicas que ele escutava. Conversávamos amenidades no caminho, quando eu percebi que faltava apenas 1h para o voo. Àquela hora eu já deveria estar no aeroporto, se eu quisesse ir pra casa. Perguntei ao taxista: “Ainda falta muito pra chegarmos?” Ele ficou surpreso com a pergunta e respondeu: “Agora que começamos a andar. Por quê? Que horas sai o seu voo?”

Agora sim, entrei em desespero! Expliquei-lhe a situação e, naquele momento, vi o taxista também enlouquecer! Pisou o pé no acelerador com toda força, ultrapassou vários carros, mas era inútil: o congestionamento àquela hora era enorme. Além disso, o trajeto era repleto de semáforos. Foi quando ele me explicou: “Moça, você tem muita sorte, pois eu peguei um atalho logo no início, mesmo sem saber que você estava atrasada. Se eu tivesse ido pelo caminho de sempre, você não chegaria a tempo. Vou fazer o possível para que você chegue pelo menos meia hora antes. Vou te deixar na porta e, quando entrar no aeroporto, corra para o lado esquerdo, para fazer o check-in.”

Medo de avião? Naquele momento meu único medo era de não estar naquele avião. Eu não sabia se chorava ou se arrancava os cabelos. Resolvi orar. Pedi perdão a Deus pela minha negligência. Pedi que ele me concedesse ainda a graça de entrar no avião. Não prometi nada em troca, pois sabia que, mesmo que eu prometesse nunca mais me atrasar para nada, algum dia eu iria cair no erro novamente. Deus não espera que sejamos perfeitos para nos abençoar. Ele nos abençoa apesar de tudo. "Se somos infiéis, Ele permanece fiel." 2 Timóteo 2:13

E naquele momento eu senti que Deus guiava o táxi, livrando-nos de acidentes e fazendo-me chegar ao aeroporto exatamente 31 minutos antes do voo. O taxista ficou muito preocupado comigo e entregou-me um cartão com seu telefone, pedindo-me que eu ligasse assim que chegasse à minha cidade. Agradeci como pude, peguei a mala e ouvi a sua instrução: “Corra para o lado direito. Confusa, perguntei: “Mas você não tinha dito que era para o lado esquerdo?” A tempo ele corrigiu-se: “Desculpe, eu havia dito errado, é para o lado direito mesmo! Boa viagem!”

Entrei correndo naquele aeroporto, com a mala na mão (na pressa esqueci de pegar logo na entrada uma espécie de 'carrinho' para carregar a bagagem), e segui para o lado esquerdo! Pela terceira vez naquele dia eu entrava no caminho errado, não sei como consegui errar tanto de uma vez só! Quando percebi o equívoco, minha reação foi sair correndo com todas as forças para o lado correto, mas o aeroporto era grande e a mala pesada. O cansaço estava me vencendo. Ainda por cima as pessoas me olhavam como se eu fosse uma louca! Mas eu não me importava: só queria era chegar em casa.

Enfim cheguei ao check-in da empresa correta. Mas o alívio total ainda não tinha chegado. Faltava o mais difícil: entrar no avião. Falei com a atendente e ela me deu a pior notícia da minha vida: “Desculpe, mas o check-in já encerrou. Encerra-se meia hora antes do voo.” Agora sim, com toda certeza, eu sabia o que era desespero. Eu não tinha dinheiro para ficar em Recife até o próximo voo (que seria apenas no dia seguinte), muito menos para pagar uma multa de R$ 100,00 por ter perdido o avião! Não havia nada a fazer, implorar talvez. Foi isso que fiz. Mas não adiantou. A regra era bastante clara.

Parecia um pesadelo. Queria que alguém me acordasse, então eu estaria na minha cama, em casa. Olhei para todos os lados do aeroporto com uma sensação horrível, de abandono, solidão, impotência... A primeira lágrima preparava-se para cair do meu olhar, quando ouvi a voz de um rapaz atrás de mim. Ele deveria estar no mesmo voo que eu, mas chegou igualmente atrasado. Falou com a atendente e ouviu a mesma resposta. É... pelo menos agora eu tinha companhia no desespero. Mas o rapaz não se abalou. Disse: “Quero falar com o gerente. Sou funcionário da Infraero, tenho que ir nesse voo.” Aquelas palavras pareciam música para os meus ouvidos. Intrometi-me na conversa e também exigi falar com o gerente. Não foi preciso. Outro funcionário chegou e, intimidado pela posição do rapaz, deixou-o passar. E, para não ser injusto, deixou-me ir também.

Parecia um sonho. Mas agora eu não queria mais acordar. Queria sim, realizar o sonho que era meu e de muita gente, de viajar de avião, por que não? Peguei meu comprovante e segui para o portão de embarque. Percebi que meus braços doíam e que as alças da mala tinham deixado marcas. Não sei de onde tirei forças para carregá-la. Mas agora nada disso importava: eu estava em estado de graça.

Mas, antes do voo, um último susto: ao colocar a mala na esteira, rasguei o comprovante sem querer. Que desastrada! Olhei para a funcionária com uma cara de choro e ela disse: “Deixe-me ver. Se tiver rasgado o código de barras, teremos que imprimir outro.” Havia dois códigos de barra naquele papel, um ao lado do outro, separados por um espaço de meio centímetro. Incrivelmente, o papel rasgou-se exatamente entre os dois códigos de barra, deixando-os intactos! Deus é maravilhoso! Ele é milimetricamente exato, até quando transforma nossos erros em bênçãos para nós e glória para Ele. "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus." Romanos 8:28

Quando enfim entrei no avião, ainda estava meio desorientada, sem acreditar como e porque eu estava ali. Ao ver Recife de cima, do alto das nuvens, experimentei uma das melhores sensações da minha vida. Não sabia se ria ou se chorava. Fiz as duas coisas. E fiz também uma oração de gratidão a Deus. Não era a beleza da paisagem, mas a beleza do meu Deus que me comovia. E hoje escrevo esse texto para agradecer a Ele, pois para mim uma série de acontecimentos tão incríveis jamais poderiam ter sido mera coincidência. O meu primeiro voo com certeza jamais esquecerei.

"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são a cada manhã." Lamentações 3:22, 23



Em Cristo,
Débora Silva Costa.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O rei e a camponesa



O escritor Philip Yancey adapta uma parábola do filósofo cristão Sören Kierkegaard que nos ajuda a compreender de que maneira Deus tenta nos salvar ao mesmo tempo que respeita nossa liberdade. É uma parábola de um rei que ama uma moça humilde:


Não havia rei como ele. Todos os estadistas tremiam diante de seu poder. Ninguém ousava pronunciar uma palavra contra ele, pois este rei possuía a força para esmagar todos os oponentes. E, ainda assim, esse poderoso rei derreteu-se de amores por uma moça humilde. Como podia declarar seu amor por ela? Por ironia, sua própria realeza deixava-o de mãos amarradas. Caso a trouxesse ao palácio, lhe coroasse a cabeça com jóias e lhe vestisse o corpo com vestes reais, certamente ela não resistiria — ninguém ousava resistir-lhe. Mas ela o amaria? É claro que diria que o amava, mas amá-la de verdade? Ou iria viver com ele temerosa, secretamente se lastimando pela vida que havia deixado para trás? Seria feliz ao seu lado? Como ele poderia saber? Caso fosse na carruagem real até a cabana dela na floresta, com uma escolta armada balançando imponentes estandartes, isso também a atordoaria. Ele não desejava uma súdita servil. Desejava uma amante, uma igual. Desejava que ela esquecesse que ele era rei e ela uma moça humilde e que deixasse que o amor partilhado vencesse o abismo existente entre eles.

"Pois é somente no amor que o desigual pode ser feito igual", concluiu Kierkegaard.

Esse é exatamente o mesmo problema que Deus enfrenta em sua busca por você e eu: se ele se impuser sobre nós com seu poder, não seremos livres para amá-lo (amor e poder freqüentemente possuem relações opostas). Ainda que mantenhamos nossa liberdade, podemos não amá-lo, mas simplesmente amar aquilo que ele nos dá. O que Deus pode fazer? Veja o que o rei fez:


o rei, convencido de que não poderia fazer a moça melhorar sua condição social sem reprimir sua liberdade, decidiu rebaixar-se. Vestiu-se de pedinte e aproximou-se da cabana incógnito, com uma capa surrada, frouxa, esvoaçando ao seu redor. Não era um mero disfarce, mas uma nova identidade que assumiu. Renunciou ao trono para ganhar a mão dela.


Foi exatamente isso o que Deus fez para ganhar você e eu! Ele se rebaixou até o nível humano — na verdade, a uma das mais baixas posições sociais que alguém poderia assumir — a de um servo. Paulo descreve o sacrifício de Cristo dessa maneira em sua carta aos Filipenses (2.5-8):

Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a SI mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!

Imagine o Criador do Universo humilhando-se a ponto de se tornar servo, sofrer e morrer nas mãos das próprias criaturas que ele criou! Por que ele faria isso? Porque seu amor infinito o compele a oferecer salvação àqueles que foram criados à sua imagem. Assumir a forma de um servo humano era a única maneira de ele nos oferecer salvação sem negar nossa capacidade de aceitá-la.



Extraído do Livro "Não tenho fé suficiente para ser ateu" - Norman Geisler e Frank Turek

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Vida Solitária



Ele nasceu numa vila obscura, filho de um camponês. Cresceu em outra vila, onde trabalhou como carpinteiro até os 30 anos. Então por três anos, foi um pregador itinerante.


Ele nunca escreveu um livro. Nunca teve um escritório. Nunca constituiu família nem teve uma casa. Ele não foi para a faculdade. Nunca viveu em uma cidade grande. Nunca viajou a mais de 300 quilômetros do lugar onde nasceu. Nunca realizou as coisas que normalmente acompanham a grandeza. Ele não tinha credenciais, a não ser ele mesmo.

Tinha apenas 33 anos quando a onda da opinião pública voltou-se contra ele. Seus amigos fugiram. Um deles o negou. Foi entregue aos seus inimigos e sofreu humilhação durante o seu julgamento. Foi pregado em uma cruz entre dois ladrões. Enquanto estava morrendo, seus executores disputaram por meio de sortes suas roupas, a única coisa material que possuíra. Quando morreu, foi colocado em um túmulo emprestado, por compaixão de um amigo.

Vinte séculos se passaram, e hoje ele é a figura central para grande parte da raça humana. Sinto-me plenamente confiante quando digo que todos os exércitos que já marcharam, todos os navios que já navegaram, todos os parlamentos que já discutiram, e todos os reis que já reinaram, colocados juntos, não afetaram a vida dos homens nesta terra tanto quanto aquela vida solitária.

Sermão de James Allan Francis


(extraído do livro "Não tenho fé suficiente para ser ateu" - Norman Geisler e Frank Turek)

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