terça-feira, 6 de setembro de 2011

O rei e a camponesa



O escritor Philip Yancey adapta uma parábola do filósofo cristão Sören Kierkegaard que nos ajuda a compreender de que maneira Deus tenta nos salvar ao mesmo tempo que respeita nossa liberdade. É uma parábola de um rei que ama uma moça humilde:


Não havia rei como ele. Todos os estadistas tremiam diante de seu poder. Ninguém ousava pronunciar uma palavra contra ele, pois este rei possuía a força para esmagar todos os oponentes. E, ainda assim, esse poderoso rei derreteu-se de amores por uma moça humilde. Como podia declarar seu amor por ela? Por ironia, sua própria realeza deixava-o de mãos amarradas. Caso a trouxesse ao palácio, lhe coroasse a cabeça com jóias e lhe vestisse o corpo com vestes reais, certamente ela não resistiria — ninguém ousava resistir-lhe. Mas ela o amaria? É claro que diria que o amava, mas amá-la de verdade? Ou iria viver com ele temerosa, secretamente se lastimando pela vida que havia deixado para trás? Seria feliz ao seu lado? Como ele poderia saber? Caso fosse na carruagem real até a cabana dela na floresta, com uma escolta armada balançando imponentes estandartes, isso também a atordoaria. Ele não desejava uma súdita servil. Desejava uma amante, uma igual. Desejava que ela esquecesse que ele era rei e ela uma moça humilde e que deixasse que o amor partilhado vencesse o abismo existente entre eles.

"Pois é somente no amor que o desigual pode ser feito igual", concluiu Kierkegaard.

Esse é exatamente o mesmo problema que Deus enfrenta em sua busca por você e eu: se ele se impuser sobre nós com seu poder, não seremos livres para amá-lo (amor e poder freqüentemente possuem relações opostas). Ainda que mantenhamos nossa liberdade, podemos não amá-lo, mas simplesmente amar aquilo que ele nos dá. O que Deus pode fazer? Veja o que o rei fez:


o rei, convencido de que não poderia fazer a moça melhorar sua condição social sem reprimir sua liberdade, decidiu rebaixar-se. Vestiu-se de pedinte e aproximou-se da cabana incógnito, com uma capa surrada, frouxa, esvoaçando ao seu redor. Não era um mero disfarce, mas uma nova identidade que assumiu. Renunciou ao trono para ganhar a mão dela.


Foi exatamente isso o que Deus fez para ganhar você e eu! Ele se rebaixou até o nível humano — na verdade, a uma das mais baixas posições sociais que alguém poderia assumir — a de um servo. Paulo descreve o sacrifício de Cristo dessa maneira em sua carta aos Filipenses (2.5-8):

Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a SI mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!

Imagine o Criador do Universo humilhando-se a ponto de se tornar servo, sofrer e morrer nas mãos das próprias criaturas que ele criou! Por que ele faria isso? Porque seu amor infinito o compele a oferecer salvação àqueles que foram criados à sua imagem. Assumir a forma de um servo humano era a única maneira de ele nos oferecer salvação sem negar nossa capacidade de aceitá-la.



Extraído do Livro "Não tenho fé suficiente para ser ateu" - Norman Geisler e Frank Turek

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