sexta-feira, 21 de outubro de 2011

E quando a paixão acaba?



A idéia cristã de casamento se baseia nas palavras de Cristo de que o homem e a mulher devem ser considerados um único organismo - tal é o sentido que as palavras "uma só carne" teriam numa língua moderna. Os cristãos acreditam que, quando disse isso, ele não estava expressando um sentimento, mas afirmando um fato. [...] Todos os que se casaram na igreja fizeram a promessa pública e solene de permanecer unidos até a morte. [...] A ideia de que "estar enamorado" é o único motivo válido para permanecer casado é totalmente contrária à ideia do matrimônio como um contrato ou mesmo como uma promessa. Se tudo se resume ao amor, o ato da promessa nada lhe acrescenta; e, assim, nem deveria ser feito.

Uma coisa curiosa é que os próprios [...] apaixonados têm a tendência natural de fazer promessas um ao outro. As canções de amor do mundo inteiro estão repletas de juras de fidelidade eterna. A lei cristã não exige do amor algo que é alheio à sua natureza: exige apenas que os amantes levem a sério algo que a própria paixão os impele a fazer. E é evidente que a promessa de ser fiel para sempre, que fiz quando estava apaixonado e porque o estava, deve ser cumprida mesmo que deixe de estar. A promessa diz respeito a ações, a coisas que posso fazer: ninguém pode fazer a promessa de ter um determinado sentimento para sempre. Seria o mesmo que prometer nunca mais ter dor de cabeça ou nunca mais ter fome. [...]

[Então] qual o sentido de manter unidas duas pessoas que não se amam mais? Existem várias razões sociais bem fundamentadas para tanto: dar um lar para os filhos, proteger a mulher (que provavelmente sacrificou a carreira pelo casamento) de ser trocada por outra quando o marido se cansar dela. Existe, no entanto, um outro motivo. [...] O que chamamos de "estar apaixonado" é um estado maravilhoso e, sob diversos aspectos, benéfico para nós. Ajuda-nos a ser mais generosos e corajosos, abre nossos olhos não apenas para a beleza do objeto amado, mas para toda a beleza. [...] [Mas] "a coisa mais perigosa que podemos fazer é tomar um certo impulso de nossa natureza como padrão a ser seguido custe o que custar". [...]

A paixão amorosa não pode ser a base de uma vida inteira. É um sentimento nobre, mas, mesmo assim, é apenas um sentimento. Não podemos nos fiar em que um sentimento vá conservar para sempre sua intensidade total, ou mesmo que vá perdurar. O conhecimento perdura, como também os princípios e os hábitos, mas os sentimentos vêm e vão. [...] Se o velho final dos contos de fadas: "E viveram felizes para sempre", quisesse dizer que "pelos cinqüenta anos seguintes sentiram-se atraídos um pelo outro como no dia anterior ao casamento", estaria se referindo a algo que não acontece na realidade, que não pode acontecer e que, mesmo que pudesse, seria pouquíssimo recomendável. Quem conseguiria viver nesse estado de excitação mesmo por cinco anos? Que seria do trabalho, do apetite, do sono, das amizades?


É claro, porém, que o fim da paixão amorosa não significa o fim do amor. O amor nesse segundo sentido - distinto da "paixão amorosa" - não é um mero sentimento. É uma unidade profunda, mantida pela vontade e deliberadamente reforçada pelo hábito; é fortalecida ainda (no casamento cristão) pela graça que ambos os cônjuges pedem a Deus e dele recebem. Eles podem fruir desse amor um pelo outro mesmo nos momentos em que se desgostam, da mesma forma que amamos a nós mesmos mesmo quando não gostamos da nossa pessoa. Conseguem manter vivo esse amor mesmo nas situações em que, caso se descuidassem, poderiam ficar "apaixonados" por outra pessoa. Foi a "paixão amorosa" que primeiro os moveu a jurar fidelidade recíproca. O amor sereno permite que cumpram o juramento. É através desse amor que a máquina do casamento funciona: a paixão amorosa foi a fagulha que a pôs em funcionamento.

Se você discorda de mim, é claro que vai dizer: "Ele não sabe do que está falando. Ele nem é casado." Talvez você tenha razão. Antes de dizer isso, porém, tome o cuidado de embasar seu julgamento nas coisas que você conhece por experiência pessoal ou pela observação de seus amigos, e não em idéias derivadas de romances ou de filmes. [...] As pessoas tiram dos livros a ideia de que, se você casou com a pessoa certa, viverá "apaixonado" para sempre. Como resultado, quando se dão conta de que não é isso o que ocorre, chegam à conclusão de que cometeram um erro, o que lhes daria o direito de mudar - não percebem que, da mesma forma que a antiga paixão se desvaneceu, a nova também se desvanecerá.

[Porém], se você perseverar, o arrepio da novidade, quando morre, é compensado por um interesse mais sereno e duradouro. [...] Segundo me parece, essa é uma pequena parte do que Cristo quis dizer quando afirmou que nada pode viver realmente sem antes morrer. Simplesmente não vale a pena tentar manter viva uma sensação forte e fugaz: é a pior coisa que podemos fazer. Deixe o frisson ir embora — deixe-o morrer. Se você passar por esse período de morte e penetrar na felicidade mais discreta que o segue, passará a viver num mundo que a todo tempo lhe dará novas emoções.

Mas, se fizer das emoções fortes a sua dieta diária e tentar prolongá-las artificialmente, elas vão se tornar cada vez mais fracas, cada vez mais raras, até você virar um velho entediado e desiludido para o resto da vida. É por serem tão poucas as pessoas que entendem isso que encontramos tantos homens e mulheres de meia-idade lamentando a juventude perdida, na idade mesma em que novos horizontes deveriam descortinar-se e novas portas deveriam abrir-se. [...]

Outra idéia que apreendemos de romances e peças de teatro é que a paixão amorosa é algo irresistível, algo que simplesmente "contraímos", como sarampo. Por acreditar nisso, certas pessoas casadas largam tudo e se atiram a um novo amor quando se sentem atraídas por alguém. [...] Quando conhecemos uma pessoa bonita, inteligente e bem-humorada, é claro que devemos, num certo sentido, admirar e amar essas belas qualidades. Porém, não cabe a nós em boa medida julgar se esse amor deve ou não dar lugar ao que chamamos de paixão amorosa? Sem dúvida, se nossa cabeça está cheia de romances, peças e canções sentimentalistas, e nosso corpo está cheio de álcool, vamos tender a transformar qualquer amor nesse tipo específico de amor. [...] A culpa será sua.


Trechos extraídos do capítulo 6 - O Casamento Cristão - do livro "Cristianismo Puro e Simples" - C. S. Lewis

sábado, 15 de outubro de 2011

Um passeio na sinagoga


Mês passado viajei pela primeira vez para Recife-PE, capital que se destaca nacionalmente pelo turismo, cultura, economia e história. Entre tantas atrações, monumentos e belezas naturais, tive a felicidade de conhecer um museu que tem importância não apenas para o Nordeste ou para o Brasil, mas para todo o mundo ocidental. Trata-se da primeira Sinagoga Judaica das Américas, a Kahal Zur Israel!

Mas porque uma sinagoga judaica logo aqui no Nordeste? Como os judeus foram parar em Recife?
Historicamente os judeus foram (e ainda são) um povo muito sofrido. Egípcios, babilônios, assírios, romanos, católicos, alemães e árabes são alguns dos povos que perseguiram, escravizaram e mataram judeus ao longo dos tempos. Uma dessas perseguições foi promovida pela Inquisição Espanhola, que atuou no período de 1478 a 1834 na Península Ibérica, uma conversão forçada de judeus ao cristianismo, que condenava à pena de morte os que resistissem.

Acuados, os judeus fugiram para outros territórios, como o norte da África e o Novo Mundo (principalmente Brasil e México), onde poderiam ter liberdade de culto. Mas Portugal também era um dos países perseguidores, o que valia igualmente para as suas colônias, como o Brasil. Mas naquela época o Nordeste brasileiro estava sob o domínio holandês, e, uma vez que na Holanda a comunidade judaica era tolerada, isso possibilitou que muitos judeus se estabelecessem aqui, principalmente em Recife.

Vista do Recife Antigo
Mas essa abertura brasileira aos judeus durou apenas vinte e quatro anos, cessando com a expulsão dos holandeses, em 1654. Novamente fugitiva, a comunidade judaica constituiu-se em Nova Iorque, nos Estados Unidos, cidade que ajudaram a desenvolver e onde também foi fundada a segunda sinagoga do mundo ocidental. Mas, embora curto, o período que os judeus passaram aqui no Brasil foi marcante, e a Kahal Zur Israel, construída em 1636, é um testemunho vivo da passagem desse povo.

“Os homens se apresentarão ao Senhor, seu Deus, no local que ele escolher.” Deuteronômio 16:16b
O termo Kahal Zur Israel vem do hebraico e significa literalmente “Rocha de Israel”. Está localizada no Centro Histórico de Recife, junto a outros pontos turísticos, como o Marco Zero, a Torre Malakoff e o Parque das Esculturas. A sinagoga chama a atenção não pela suntuosidade ou grandeza, como os templos de outras religiões que há na cidade (do catolicismo, por exemplo), ou como outras sinagogas judaicas pelo mundo. Pelo contrário, o destaque está justamente no fato de funcionar numa das casas da Rua Bom Jesus (que já se chamou também Rua dos Judeus e Rua dos Bodes). Foi até um pouco difícil encontrá-la, pois poucos recifenses sabiam indicar a localização do tal templo. Também é preciso pagar uma pequena taxa para entrar.

Finalmente dentro do prédio, só se confirma a impressão inicial de simplicidade e recato, sem aquela “aura” de local sagrado. O museu é uma reconstituição da sinagoga (já que esta foi em parte destruída após a expulsão dos holandeses), mas conta com escavações que mostram vestígios do prédio original, identificados recentemente e preservados pelo Centro Cultural Judaico de Pernambuco. O edifício atual é uma colcha de retalhos, contrastando elementos de diversas épocas, como um poço (utilizado para rituais de purificação) datado do século XVII, e a atual fachada, que data do século XIX.

"Mikvê", piscina utilizada em rituais de banho de purificação
Ao lado da área de escavações fica uma pequena sala como documentos, fotos, livros, cartas e objetos variados de judeus que nasceram ou moraram no Brasil em diversas épocas. No andar térreo ainda é possível ver alguns artefatos recuperados na busca arqueológica dentro da sinagoga e painéis explicativos de toda a trajetória judaica no Brasil. Ali constava, por exemplo, que o primeiro rabino da sinagoga foi o luso-holandês Isaac Aboab da Fonseca (1605-1693).

Vista do andar térreo do museu,
com os painéis (acima) e escavações arqueológicas (abaixo)

Subindo as escadas (em cujo corrimão está escrita a passagem de Deuteronômio 16:16), rumo ao primeiro andar, há um pequeno memorial de judeus brasileiros. Já no piso superior, o maior destaque do local: a sinagoga de fato (ou melhor, um modelo da original). O espaço conta com alguns bancos, ao fundo uma espécie de armário onde se guarda a cópia da Torah, à frente um púlpito para a leitura do rolo e, ao centro, a própria Torah, numa redoma de vidro. Diferentemente do templo do Antigo Testamento, uma sinagoga funciona como local de reuniões dos judeus, uma espécie de casa de oração e de leitura do livro sagrado, mas sem práticas de sacrifícios. No entanto, o local atualmente serve apenas para visitação, salvo em raras exceções, como no caso da foto abaixo, de um ato religioso em homenagem às vítimas do Holocausto.

Ato religioso na Kahal Zur Israel com a presença do ex-presidente Lula

Ainda no primeiro andar, há uma pequena vitrine com souvenires diversos. Alguns me chamaram a atenção, como o chaveiro da estrela de Davi, que é formada por dois triângulos unidos. Segundo o guia do museu, o primeiro triângulo representa Deus, o homem e o povo, e o segundo representa o passado, o presente e o futuro. Segundo a tradição judaica (isso não consta na Bíblia), Davi teria usado essa estrela como proteção na batalha com Golias, e o brilho da estrela teria cegado o gigante, possibilitando a vitória. Por isso, hoje em dia, os judeus utilizam supersticiosamente o objeto para proteção.

Outro chaveiro que achei até um pouco estranho (parecia coisa de marçonaria) foi o de uma mão com um olho em cima. De acordo com o guia, isso simbolizava para os judeus o poder de Deus, sendo Ele "a 'mão' que tudo alcança e o 'olho' que tudo vê". Mas a tradição judaica acabou adotando o símbolo como amuleto contra o mau-olhado!


Isso me deixou um pouco triste, ao final da visita, pois percebi na prática como os judeus, povo a quem foi confiada a Palavra de Deus (Romanos 3:2), ao longo dos tempos criaram tradições e superstições que muitas vezes competem com ela. (Marcos 7:8)

"Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo."
Colossenses 2:8


Mas, por outro lado, fiquei feliz por conhecer um pouco mais a cultura e história de um povo que Deus escolheu salvar e, através dele, trazer salvação também aos outros povos, pois foi dos judeus que veio o Messias, Jesus Cristo, nosso Salvador (João 4:22)!


"Mediante o evangelho os gentios são co-herdeiros com Israel, membros do mesmo corpo, e co-participantes da promessa em Cristo Jesus."
Efésios 3:6



Em Cristo,
Débora Silva Costa


sábado, 8 de outubro de 2011

Jacob Riis, uma luz na fotografia

"Vocês são a luz do mundo...
Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus".
Mateus 5:14a e 16

Neste semestre da faculdade, estudando vários fotojornalistas famosos, deparei-me com um, em especial, que me chamou a atenção: chama-se Jacob Riis (1849 – 1914), um fotógrafo cristão que deixou sua fé influenciar positivamente seu trabalho. Ele ficou marcado na história como um dos fundadores do fotojornalismo e de toda uma escola de profissionais empenhados em usar a fotografia para intervir sobre a realidade social. Além disso, é conhecido por ser o pioneiro no uso do flash na fotografia.



Riis e o Jornalismo
“...pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade.” Efésios 5:9b
Famílias com rostos lúgubres olham para a câmera com olhos vazios

Nascido na Dinamarca, numa família grande e pobre, Jacob Riis desde cedo foi influenciado por seu pai a ler e aprender inglês, esperando que tivesse uma carreira literária. Mas ele queria, na verdade, ser um carpinteiro e emigrou para a América em 1870, aos 21 anos, com esse objetivo. Contudo, para a maioria dos imigrantes, as coisas não eram tão fáceis, e Riis sentiu na própria pele a pobreza e o preconceito. Somente em 1873 conseguiu um emprego razoável, numa agência de notícias, a New York News Association. Depois disso ainda trabalhou brevemente como editor em dois pequenos jornais da cidade, e, quatro anos depois, tornou-se repórter policial do New York Tribune.

Durante esse tempo como repórter policial, Riis trabalhou nas favelas mais violentas e pobres da cidade e pôde escrever relatos de primeira mão das indignidades e injustiças na vida dos imigrantes. Através de suas próprias experiências, ele decidiu fazer a diferença. Com seu estilo de escrita melodramático, ele tornou-se um dos primeiros jornalistas reformistas, que não apenas registravam os acontecimentos, mas usavam seu trabalho como ferramenta de mudança social.


Riis e a Fotografia
“Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.” João 3:21

Este homem dormiu em uma adega por quatro anos

“Uma imagem vale mais do que mil palavras.” Este ditado popular começou a fazer sentido na vida de Jacob Riis. Há algum tempo ele vinha procurando um meio de mostrar a miséria mais vividamente, principalmente depois de ter sido acusado de exagerar na sua descrição. Foi quando recorreu à fotografia, uma arma de persuasão que superava o poder das palavras.

Autodidata, Riis documentou, durante cerca de dez anos, favelas, guetos de imigrantes miseráveis em condições de semi-escravidão e sem o mínimo de condições sanitárias. Suas fotos, chocantes para a época, ajudaram a mobilizar a opinião pública em favor de leis relativas à educação, trabalho e moradia. Em 1884, por exemplo, conseguiu que fosse formada uma comissão para tratar dos problemas de habitação, a Tenement House Commission.


Riis e o flash fotográfico
“Mas, tudo o que é exposto pela luz torna-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas.” Efésios 5:13
Crianças em farrapos dormiam no meio do lixo em um cortiço

Como os equipamentos eram caros, pesados e frágeis, nenhum fotógrafo se aventurava pelas regiões mais pobres da cidade, e durante algum tempo a fotografia permaneceu como um brinquedo das classes abastadas. Além disso, naquela época a fotografia era inútil para registrar algo que estivesse acontecendo à noite ou num lugar escuro. Jacob Riis achou que estava na hora de mudar isto. Ele foi o primeiro fotógrafo a usar o flash, e, assim, pôde registrar a realidade dos bairros pobres de Nova York, sempre envoltos em trevas e sombras.

Durante o início de 1887, no entanto, Jacob Riis ficou surpreso ao ler sobre uma invenção dos alemães Adolf Miethe e Johannes Gaedicke: uma mistura de magnésio com clorato de potássio e sulfeto de antimônio, formando um pó que, disparado por um dispositivo, a “panela de flash”, iluminava suficientemente a cena. Mas o equipamento do flash era perigoso e tinha que ser manuseado com cuidado. São numerosas as histórias de horror sobre o pó de magnésio, que poderia causar de problemas respiratórios a queimaduras graves. Além disso, o flash era ofuscante e produzia uma torrente de fumaça, incomodando a todos no ambiente.


Riis, uma luz no mundo
“Eu fiz de você luz para os gentios, para que você leve a salvação até aos confins da terra.” Atos 13:47b
Essa "prancha" de madeira era a cama dessa senhora

Jacob Riis foi um homem enérgico, que combinava em sua pessoa o caráter de diácono da igreja de Long Island e de repórter policial em Nova York. Como professor da escola dominical, ele incentivava seus alunos a se envolverem em atividades comunitárias que auxiliassem na redução dos problemas enfrentados pelos trabalhadores pobres e imigrantes de Nova York. Foi dessa forma que ele acabou usando a fotografia para documentar as condições de vida nos bairros mais pobres da cidade.

Riis acumulou muitas fotografias, mas não conseguiu vendê-las para revistas ilustradas. Por isso ele começou a divulgar seu trabalho nas igrejas, inclusive na sua própria. Dessa forma, aumentou consideravelmente o número de pessoas que tiveram contato com suas idéias, e também pôde conhecer outras que tinham o poder de mudar aquela situação. Uma dessas pessoas foi o ex-presidente Theodore Roosevelt, que ficou tão profundamente afetado pelo senso de justiça de Jacob depois de ler sobre as suas exposições, que procurou conhecê-lo, nascendo aí uma amizade para o resto da vida. Mais tarde, comentando sobre Riis, Roosevelt disse: “eu sou tentado a chamá-lo de ‘o melhor americano que eu já conheci’, embora ele já fosse um jovem quando ele veio da Dinamarca para cá”.

Embora suas imagens tenham sido publicadas como gravuras, elas foram capazes de causar um forte impacto sobre a opinião pública. Seu primeiro livro, How the Other Half Lives (Como a outra metade vive), foi publicado em 1890, sendo até hoje um documento comovente do sofrimento humano. Como a pobreza nunca acabou, também o trabalho de Riis nunca teve pausa. Ele seguiu fotografando e escrevendo sempre sobre o mesmo assunto, até morrer aos 65 anos vítima de um ataque cardíaco. Deixou mais de uma dúzia de livros publicados e o seu nome na história da fotografia.


Riis e a Luz do mundo
"Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida". João 8:12
Um homem fica no meio da rua e implora para alguém comprar um de seus lápis

Jacob Riis foi um exemplo de ser humano, de profissional e de cristão. Ele mostrou na prática que a fé não é só coisa de igreja, mas que podemos (e devemos) aplicá-la ao nosso estilo de vida, fazendo tudo para a glória de Deus (1 Co 10:31). Também mostrou que a fé sem obras é morta (Tiago 2:17) e que o amor ao próximo é a marca do crente (1 João 4:8).

Sua vida foi como o flash que inaugurou: uma pequena luz frágil e defeituosa, mas que, sendo manuseada pelo Supremo Fotógrafo (Deus), foi capaz de iluminar o coração de muitos homens, refletindo um pouco da Sua grandeza, bondade e amor. Que o exemplo desse servo de Deus nos incentive a viver como verdadeiras luzes nesse mundo.

“Porque outrora vocês eram trevas,
mas agora são luz no Senhor.
Vivam como filhos da luz.”
Efésios 5:8

Em Cristo,
Débora Silva Costa
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