quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vó Nilza

“Cala a boca, mainha!” foi a coisa mais sensata que eu consegui dizer naquele momento. Deus me perdoe, mas ela já estava me aborrecendo. Sei que minha mãe não é insensível, então, Senhor, perdoa-lhe também, ela não sabe o que fala. E se não consegue pensar em nada amoroso para dizer, é melhor ficar calada! A explosão veio depois que ela disse essa pérola: “Mas já morre gente na tua igreja...” E esta já era a terceira frase da sessão de tortura, alguém tinha que dar um basta. Antes dessa vieram também: “E quem é essa senhora que morreu pra tu estar chorando tanto?” e “73 anos? Já estava no tempo.” 

Jamais! Para pessoas como esta senhora, nunca deveria chegar esse tempo, elas deveriam ser eternas aqui na terra. Essa senhorinha que partiu e me deixou tão abalada é (ou era... é estranho falar dela no passado) Maria Nilza de Sousa, irmã Nilza para os íntimos, ou seja, para qualquer um, pois ela tratava com o mesmo amor todos que entrassem em sua vida. E eu fui uma das presenteadas com essa honra de ser sua netinha por adoção. E, de fato, irmã Nilza foi para mim como a avó que eu, na prática, nunca tive. Aqueles abraços gostosos e apertados na avozinha tão fofa. Seus sábios conselhos e as advertências, às vezes ruborizantes, mas sempre pertinentes. O cuidado, a preocupação, a persistência, até mesmo ao tentar me arranjar um namorado, sempre sugerindo pretendentes e dizendo: “Estou orando por vocês!”

Essa era Irmã Nilza, uma mulher de fé e oração. E como orava! Reza a lenda que a irmã Nilza tinha um caderninho no qual anotava o nome de todos da igreja, até mesmo aqueles que já saíram e os que mal chegaram. E como se isso não já fosse uma tarefa quase impossível, ela ainda separava um tempo no seu dia pra orar nominalmente por cada cristão! Ó, quanto me constranjo ao ver esse exemplo tão belo da irmã Nilza! Agora estou aqui parando pra pensar e tentar lembrar quantas vezes já orei pela irmã Nilza e a resposta é sincera, mas de cortar o coração: nenhuma! 

E, não por um acaso do destino, mas Deus quis que fosse assim, falece a fervorosa irmã exatamente numa quarta-feira, 30 de maio de 2012, no caminho para o culto de oração, com certeza seu culto favorito. Morreu em combate. E se a oração era o seu forte, não lhe bastava o culto da quarta-feira, ela sempre marcava também nas terças-feiras às 3h da tarde (o horário mais temido pelos crentes) uma reunião extra de oração com as senhoras da igreja. Felizmente, agora nossas orações não são necessárias, pois ela não precisa mais, está agora frente a frente com o Senhor para o qual tanto orava. 

Mas nem só de oração vivia a irmã Nilza. Ela falava e fazia. Claro que ela não tinha nenhuma obrigação, fazia porque gostava. A idade avançada, a saúde debilitada, o corpo enfraquecido poderiam ter sido usados como desculpas, muito bem justificadas, por sinal, para não trabalhar na obra do Senhor. Mas para ela, jamais! Ó, como tenho a aprender com irmã Nilza, que era forte na fraqueza! Toda semana lá estava ela, no hospital. Algumas vezes, internada, mas logo que recebia alta, voltava correndo pra ajudar no Pão da Vida, distribuindo café da manhã de graça aos pacientes, e dando-lhes uma graciosa palavra de conforto e incentivo. E em qualquer ministério que pudesse ela se engajava, do evangelismo ao coral. Para que a obra não parasse, ela também não ficava parada. 

Simpática como só ela, cumprimentava e lembrava o nome de todos, do bebê recém nascido ao irmão mais antigo, todos eram igualmente especiais para ela. Também ficava com raiva e se indignava, consumida pelo zelo santo ao ver a obra de Deus ser tratada com displicência, preguiça e injustiça. Algumas cenas que me marcaram e me fizeram refletir: 

* Irmã Nilza caminhando vagarosamente, saindo do bairro perigosíssimo onde morava, com uma sombrinha na mão debaixo do sol quente, rumo a EBD. E ainda ia pelo caminho falando de Jesus a todos que encontrasse. Agora me diga, quem sou eu pra reclamar que não tenho transporte para ir a igreja ou que estou cansado pra ir ao evangelismo? 

* Irmã Nilza com o braço imobilizado, consequência da artrite, mas carregando numa mão só dois copos plásticos com café e leite bem quente pra dar a alguém com fome. E mesmo estando frequentemente no médico para tratar de problemas de saúde, jamais abriu a boca para reclamar de nada. Então quem sou eu pra não fazer a obra de Deus por causa de uma dorzinha? 

* Irmã Nilza me dando entrevista há duas semanas para um trabalho da faculdade, falando sobre o projeto Pão da Vida. Parece, sei lá, que eu estava adivinhando que muito em breve não teria mais esse prazer de escutá-la pessoalmente. Agradeço a Deus por ter me permitido ficar com essa pequena lembrança da sua doce voz gravada em áudio e no meu coração. Aquelas palavras de amor ao próximo e a Deus eu guardarei e mostrarei, com certeza, aos outros que grande exemplo ela foi, e também tentarei um dia ser pelo menos um pouquinho parecida com a vó Nilza. 

A notícia que doeu tanto em mim e em todos da nossa igreja, da partida dessa serva boa e fiel, só deve ser olhada com alegria e incentivo, para que nós, que conhecemos essa mulher tão maravilhosa, sejamos cristãos e seres humanos melhores a partir de hoje. No momento, parece que nada disso faz sentido, então deixemos que as lágrimas escorram pelo nosso rosto. Mas um dia olharemos para esse acontecimento sem mais tristeza e saudade, pois só nos atrasamos um pouco, mas ainda haveremos de partir na mesma viagem que nos levará ao destino que irmã Nilza está tendo o prazer de conhecer primeiro: o céu. 
Te amamos, vó Nilza!! 


No consolo de Cristo, 
Débora Silva Costa

P.S.: Uma curiosidade: andei pesquisando o significado do nome "Nilza": Trabalhadora incansável, muito dinâmica, inteligente e criativa, possui muita disciplina e está sempre disposta a colaborar sem outra intenção que não seja a de ajudar os outros. Consegue executar quaisquer tarefas cansativas e monótonas, daquelas que a maioria das pessoas costumam recusar. Glória a Deus, essa mulher era dedicada até no nome!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Epitáfio - Carlos Sider

Para ouvir a música completa, clique aqui: http://www.4shared.com/mp3/Ac3OMhG0/12_Epitfio.html


Não me imagine perto daqui
Nem nos seus sonhos veja-me assim
Hoje é que eu vivo! - O que descrever?
Se olho não viu nem ouvido ouviu,
O que é o céu...

Bem que tentaram o céu descrever
Ruas de ouro, lindos portais...
Pois eu lhe digo: há muito mais...
Mais do que ver
Muito mais é viver
Frente a frente com Deus...

Esqueça o chorar, pois eu quero é cantar
Largue essa dor, estou com o Senhor
Hoje e sempre e sempre eu fico
A viver com quem tanto me amou
com quem deu Sua vida por mim
E assim tudo mudou...

Veja o que sobra, o que restou...
Foi tanto esforço...pouco ficou...
Mas nem te conto quão bem estou
pó virou pó
Mas o eterno se fez
Nas mãos de Deus

Dia mais dia, chega a sua vez
Qual sua escolha? vir ou... sei lá...?
Certo destino, porto final
Só por Jesus
Que a Deus Pai nos conduz
Ao Eterno lar

sábado, 31 de março de 2012

Santo ou Pecador?

Religioso ou secular? Sagrado ou profano? Puro ou maliciosoSubmisso ou rebeldePoliticamente correto ou fora da lei? Bonzinho ou espertalhão? Puritano ou devasso


Hoje em dia, dependendo do contexto e dos sinônimos utilizados, uma palavra que originalmente indicaria uma qualidade pode acabar tornando-se um defeito, e vice-versa. Numa sociedade que vive em crise com os valores fundamentais, não é de se estranhar que as pessoas cada vez mais prefiram ser chamadas de “loucas” ou “devassas” a serem tachadas de “santinhas” e “inocentes”. E isso não está apenas no campo da linguagem. Foi-se o tempo em que a lei e a ordem regiam o mundo (Houve mesmo esse tempo?). Hoje a moda é transgredir, libertar, desconstruir, contestar. Agora o bom é ser mau, e é errado querer estar certo.

Imagino que qualquer um que seja humano, cristão e habitante da Terra, assim como eu, viva constantemente nesse conflito, que é tanto interior, quanto exterior. Interior, em relação à batalha travada diariamente entre carne e espírito, corpo e mente, natureza humana e natureza regenerada. (Rm 7:22 e 23) Mas também exterior, no que se refere à reputação, ou seja, à forma como as pessoas nos vêem, sejam elas cristãs ou não. 

Mas pra quê ligar para o que os outros pensam? O importante não é apenas o que você é por dentro? Até que ponto esta ideia está correta? A Palavra de Deus nos fala que devemos fugir de toda aparência do mal (1 Ts 5:22), que devemos ter cuidado para não escandalizar os irmãos mais fracos (1Co 8:13; Mt 18:6), e principalmente para não afastar os descrentes, que se converterão a Cristo observando o nosso modo de viver (1 Pe 2:12, 3:16; Cl 4:5).

Então, a aparência importa, sim, para Deus, tanto quanto a essência. É pelo exterior que seremos reconhecidos (ou não) como filhos de Deus, então é preciso ser coerente: uma árvore boa não dá frutos maus e uma árvore má não dá frutos bons. (Lc 6:43-45) Companhias, roupas, lugares, horários, hábitos, linguajar, músicas, livros, filmes, e até mesmo um perfil nas redes sociais, tudo faz parte da construção do nosso “eu público”. Quando Cristo habita em nós, ele tem que fazer parte de cada uma dessas mínimas escolhas e aspectos da vida, não como espectador, mas como novo administrador. (Rm 12:1 e 2) 

Mas, por outro lado, as pessoas (mesmo as cristãs), são tão complexas, e têm gostos, opiniões e padrões tão variados que se torna difícil (pra não dizer impossível) satisfazer a todas. Como diz o povo: “Nem Jesus agradou a todos”. E como isso é verdade! O homem Jesus, por mais que se esforçasse para mostrar que era de fato o Filho de Deus, teve que conviver com as desconfianças, acusações e comparações dos seus contemporâneos. 

Certa vez, Jesus disse à multidão que o seguia: “Com que posso comparar os homens dessa geração? São como crianças sentadas na praça, gritando com seus amigos: ‘Vocês não gostam quando tocamos música alegre, e também não gostam quando tocamos música de enterro.’ João Batista costumava jejuar e não beber vinho, em toda a sua vida, e vocês diziam: ‘Ele está dominado por um demônio!’ Então veio o Filho do Homem, comendo e bebendo vinho; e vocês dizem: ‘Que comilão é Jesus! E ele bebe vinho também, e é amigo de cobradores de impostos e pessoas de má fama’.” (Lc 7:31-34 - Nova Bíblia Viva) 

Para uns ele parecia bom, santo e Filho de Deus, mas para outros pecador, enganador e até mesmo amigo de Satanás. Jesus era duas caras? Não. Ele apenas queria nos mostrar na prática o quanto seria dificultoso viver no mundo, porém separado das práticas mundanas, tentando amar os pecadores, mas não seus pecados.

Se você já está livre do domínio do pecado e da Lei, e agora é servo de Cristo, buscando viver uma vida coerente e agradável a Ele, não deve mais ter a consciência pesada quanto a estar ou não agradando a todas as pessoas. Não se adapte a ninguém. Adapte-se apenas a Cristo, e assim você estará amando a todos.

Não se esqueça: amar uma pessoa não é fazer tudo que ela quiser. Amar é fazer o que é melhor para a pessoa, mesmo que ela não goste nem compreenda. E o melhor para qualquer pessoa é sempre o que é melhor para Deus. 

Nenhum cristão é ex-pecador nem futuro santo. Somos ainda pecadores, mas já santificados e em processo de santificação. Então você não precisa ser perfeito agora, mas precisa querer e se esforçar para ser perfeito. É um caminho bem difícil, mas temos ajuda do alto e recompensa garantida. =)


Em Cristo,
Débora Silva Costa (uma miserável pecadora - regenerada - que só quer ser santa!)
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