sábado, 31 de março de 2012

Santo ou Pecador?

Religioso ou secular? Sagrado ou profano? Puro ou maliciosoSubmisso ou rebeldePoliticamente correto ou fora da lei? Bonzinho ou espertalhão? Puritano ou devasso


Hoje em dia, dependendo do contexto e dos sinônimos utilizados, uma palavra que originalmente indicaria uma qualidade pode acabar tornando-se um defeito, e vice-versa. Numa sociedade que vive em crise com os valores fundamentais, não é de se estranhar que as pessoas cada vez mais prefiram ser chamadas de “loucas” ou “devassas” a serem tachadas de “santinhas” e “inocentes”. E isso não está apenas no campo da linguagem. Foi-se o tempo em que a lei e a ordem regiam o mundo (Houve mesmo esse tempo?). Hoje a moda é transgredir, libertar, desconstruir, contestar. Agora o bom é ser mau, e é errado querer estar certo.

Imagino que qualquer um que seja humano, cristão e habitante da Terra, assim como eu, viva constantemente nesse conflito, que é tanto interior, quanto exterior. Interior, em relação à batalha travada diariamente entre carne e espírito, corpo e mente, natureza humana e natureza regenerada. (Rm 7:22 e 23) Mas também exterior, no que se refere à reputação, ou seja, à forma como as pessoas nos vêem, sejam elas cristãs ou não. 

Mas pra quê ligar para o que os outros pensam? O importante não é apenas o que você é por dentro? Até que ponto esta ideia está correta? A Palavra de Deus nos fala que devemos fugir de toda aparência do mal (1 Ts 5:22), que devemos ter cuidado para não escandalizar os irmãos mais fracos (1Co 8:13; Mt 18:6), e principalmente para não afastar os descrentes, que se converterão a Cristo observando o nosso modo de viver (1 Pe 2:12, 3:16; Cl 4:5).

Então, a aparência importa, sim, para Deus, tanto quanto a essência. É pelo exterior que seremos reconhecidos (ou não) como filhos de Deus, então é preciso ser coerente: uma árvore boa não dá frutos maus e uma árvore má não dá frutos bons. (Lc 6:43-45) Companhias, roupas, lugares, horários, hábitos, linguajar, músicas, livros, filmes, e até mesmo um perfil nas redes sociais, tudo faz parte da construção do nosso “eu público”. Quando Cristo habita em nós, ele tem que fazer parte de cada uma dessas mínimas escolhas e aspectos da vida, não como espectador, mas como novo administrador. (Rm 12:1 e 2) 

Mas, por outro lado, as pessoas (mesmo as cristãs), são tão complexas, e têm gostos, opiniões e padrões tão variados que se torna difícil (pra não dizer impossível) satisfazer a todas. Como diz o povo: “Nem Jesus agradou a todos”. E como isso é verdade! O homem Jesus, por mais que se esforçasse para mostrar que era de fato o Filho de Deus, teve que conviver com as desconfianças, acusações e comparações dos seus contemporâneos. 

Certa vez, Jesus disse à multidão que o seguia: “Com que posso comparar os homens dessa geração? São como crianças sentadas na praça, gritando com seus amigos: ‘Vocês não gostam quando tocamos música alegre, e também não gostam quando tocamos música de enterro.’ João Batista costumava jejuar e não beber vinho, em toda a sua vida, e vocês diziam: ‘Ele está dominado por um demônio!’ Então veio o Filho do Homem, comendo e bebendo vinho; e vocês dizem: ‘Que comilão é Jesus! E ele bebe vinho também, e é amigo de cobradores de impostos e pessoas de má fama’.” (Lc 7:31-34 - Nova Bíblia Viva) 

Para uns ele parecia bom, santo e Filho de Deus, mas para outros pecador, enganador e até mesmo amigo de Satanás. Jesus era duas caras? Não. Ele apenas queria nos mostrar na prática o quanto seria dificultoso viver no mundo, porém separado das práticas mundanas, tentando amar os pecadores, mas não seus pecados.

Se você já está livre do domínio do pecado e da Lei, e agora é servo de Cristo, buscando viver uma vida coerente e agradável a Ele, não deve mais ter a consciência pesada quanto a estar ou não agradando a todas as pessoas. Não se adapte a ninguém. Adapte-se apenas a Cristo, e assim você estará amando a todos.

Não se esqueça: amar uma pessoa não é fazer tudo que ela quiser. Amar é fazer o que é melhor para a pessoa, mesmo que ela não goste nem compreenda. E o melhor para qualquer pessoa é sempre o que é melhor para Deus. 

Nenhum cristão é ex-pecador nem futuro santo. Somos ainda pecadores, mas já santificados e em processo de santificação. Então você não precisa ser perfeito agora, mas precisa querer e se esforçar para ser perfeito. É um caminho bem difícil, mas temos ajuda do alto e recompensa garantida. =)


Em Cristo,
Débora Silva Costa (uma miserável pecadora - regenerada - que só quer ser santa!)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...